A atriz falou sobre a nova fase de sua personagem na novela
Taís Araújo admitiu ter se frustrado com o rumo de Raquel, sua personagem de “Vale Tudo”. Na trama, a chef de cozinha e empresária perde tudo e volta a vender sanduíche na praia. O destino de Raquel não foi o mesmo da trama original de 1988.
Taís Araújo relata surpresa com trama de Raquel

Taís Araújo confessou que não gostou do que aconteceu com sua personagem Raquel na novela “Vale Tudo”. Em entrevista a revista Quem, a atriz falou que se frustrou ao saber que a personagem iria perder tudo que conquistou ao longa da trama.
“Esse momento da Raquel voltar a vender sanduíche na praia, confesso que recebi com um susto. Porque não era a trama original. Então, para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente’. Aí eu entendi e também falei: ‘OK, mas ela está escrevendo uma parte da história’. Vamos embora fazer”, contou ela.
Desde o início da novela, Raquel tem ascendido na carreira. A personagem vendia sanduíche na praia, depois virou cozinheira, teve seu próprio restaurante e virou empresária e dona da Paladar. Ela recebe um golpe de Odete, que vende a Paladar, e acaba cheia de dívidas e sem a empresa.
“Também tinha a esperança disso e gostaria muito de vê-la assim. Como mulher negra, como artista negra, de ver uma outra narrativa sobre mulheres negras”, admitiu Taís.
A mudança na história da personagem, que volta a vender sanduíche na praia, também frustrou os telespectadores que já torciam pelo sucesso de Raquel. A atriz tinha a mesma expectativa sobre a trama, mas destacou que respeita a escolha da dramaturga Manuela Dias.
“Quando peguei a Raquel para fazer, falei: ‘cara, a narrativa dessa mulher é a cara do Brasil. E ela vai ter uma ascensão social a partir do trabalho. Vai ser linda e ela vai ascender e ela vai permanecer’. Isso vai ser uma narrativa muito nova do que a gente vê sobre representação da mulher negra na teledramaturgia brasileira”, relata ela. “
“Quando vejo que isso não aconteceu, como uma artista que quer contar uma nova narrativa de país, e a dramaturgia proporciona isso, confesso que fico triste e frustrada”.

Taís também destacou que os telespectadores estão prontos para ver a narrativa de ascensão das pessoas negras.
“É urgente que a gente se veja nesse lugar. E acho que a Raquel tinha todas as possibilidades da gente contar essa nova narrativa dessa mulher. E quando li, pensei: Ai, meu Deus, não vai ter? Não, não vai ter'”, lembra a atriz.
Ela também citou que entende seu papel de intérprete e como a personagem não foi escrita por ela. Taís destacou que, mesmo diante da frustração, não iria deixar de representar Raquel com honra.
“E com respeito enorme a todas as mulheres que Raquel representa, vou até o final defender essa personagem porque acredito nessa mulher. Acredito nessa mulher negra que trabalha para manter uma família, que acende socialmente, que se dedica, que é uma mulher séria, capaz, competente”, destaca ela.
Após perder tudo, Raquel não desiste e já começa a trabalhar novamente para conseguir pagar todas as dívidas. “Ela não ia ficar chorando, ela ia levantar e trabalhar. É o que as mulheres desse país fazem. As que estão na base da pirâmide. Elas levantam e são bravas, são valentes, são corajosas, elas vão trabalhar”, relata Taís.
A atriz revelou esperar que a batalha da personagem não fosse pela sobrevivência, mas outros tipos de luta, como, por exemplo, embates éticos com Odete.

A novela, assim como a história de Raquel, está prevista para acabar no meio de outubro. Para a atriz, a trama chega ao final um pouco antes com o fim das gravações, que já se aproxima.
“Raquel é um exemplo de mulher. Ela é um exemplo para mim. Sempre vou deixá-la absolutamente humana e ainda falta novela aí. Torço para que ela consiga reverter a situação, que ela consiga se estabelecer financeiramente, colocar em prática tudo o que ela tanto fala e se dedica. Espero realmente que a vida devolva a ela o que ela dá para a vida. Porque aí a gente vai ter uma narrativa que é muito interessante”, falou ela.
Taís concluiu destacando a importância da teledramaturgia para o povo: “A ficção, ela serve para a gente se sentir possível, para sonhar. Ela tem um trabalho de responsabilidade sim na construção da narrativa, de um país. E como o país entende um povo. Então, acho que é sobre isso também”.

