“Emergência Radioativa” mostra evento lembrado até hoje como o maior desastre radioativo do mundo fora de usinas nucleares
A série brasileira “Emergência Radioativa” promete impactar ao estrear na Netflix. Estrelando Johnny Massaro no papel de um físico, a produção de cinco episódios mergulha em um dos capítulos mais sombrios da história do Brasil: o acidente com o Césio-137 em Goiânia, ocorrido em setembro de 1987.
“Emergência Radioativa”: a história por trás da série da Netflix
Criada por Gustavo Lipsztein e com direção geral de Fernando Coimbra (“Narcos”), que divide o comando com Iberê Carvalho, a série da Gullane mistura ficção e realidade para retratar o caos urbano provocado por uma cápsula de radioterapia abandonada.
No elenco, nomes de peso como Leandra Leal, Paulo Gorgulho e Antônio Saboia dão vida ao enredo que foca na corrida de médicos e cientistas para conter a contaminação e salvar as vítimas. A história real por trás da tela é devastadora.

Tudo começou quando dois catadores encontraram uma cápsula de chumbo nas ruínas de uma clínica desativada no centro de Goiânia. Sem saber do perigo, eles venderam o objeto para o dono de um ferro-velho, Devair Ferreira.
Ao abrir a peça, Devair encontrou um pó fino que emitia um brilho azul vibrante no escuro. Fascinado, ele levou o material para casa, exibiu para amigos e familiares, e chegou a distribuir fragmentos da substância altamente radioativa. O que parecia algo “mágico” era, na verdade, cloreto de césio-137 puro.
Em poucos dias, o rastro de radiação começou a fazer vítimas. Maria Gabriela, esposa de Devair, percebeu que as pessoas ao seu redor estavam adoecendo rapidamente e tentou alertar a Vigilância Sanitária, mas a gravidade da situação demorou a ser compreendida pelas autoridades.
As marcas de uma tragédia mundial
Oficialmente, o acidente causou quatro mortes imediatas, incluindo a esposa de Devair e sua sobrinha, Leide das Neves, de apenas 6 anos, que se tornou o símbolo da tragédia.
O próprio Devair sobreviveu ao tratamento de descontaminação, mas faleceu sete anos depois. Além das mortes diretas, centenas de pessoas desenvolveram sequelas graves, como câncer e doenças crônicas renais e cardíacas.

O caso gerou uma condenação por negligência aos proprietários da clínica abandonada e acendeu um alerta global sobre o descarte de lixo hospitalar radioativo.
Antes da série da Netflix, a tragédia já havia sido tema de documentários, livros e do filme “Césio 137: O Pesadelo de Goiânia” (1990), além de uma edição histórica do programa “Linha Direta” em 2007.

