Como a morte de Laurinha em “Rainha da Sucata” quebrou tabu histórico na Globo

Final de Laurinha Figueroa em “Rainha da Sucata” desafiou tabus, quebrou protocolos e parou a Avenida Paulista

A reprise de “Rainha da Sucata”, original de 1990, no “Vale a Pena Ver de Novo” traz de volta uma das sequências mais polêmicas da teledramaturgia brasileira. A morte de Laurinha Figueroa, vilã interpretada pela icônica Glória Menezes, fez a Globo quebrar uma regra histórica e desconstruir um tabu nas novelas.

Entenda!

“Rainha da Sucata”: como a morte de Laurinha quebrou tabu

A Globo, a princípio, mantinha o veto à exibição de cenas de suicídio explícito, tratando o tema de forma apenas velada ou sugerida. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, publicada em outubro de 1990, a morte de Laurinha foi a primeira mostrada em detalhes na TV brasileira.

O tema foi apontado como “última arma” da emissora na guerra pela audiência. A mídia tradicionalmente evita o destaque a esses atos como forma de prevenção, para que a divulgação, portanto, não induza pessoas vulneráveis. Geralmente, os personagens eram encontrados mortos.

Laurinha (Glória Menezes) em “Rainha da Sucata” (Crédito: Reprodução/Globoplay)

Na trama de Silvio de Abreu, o ato não foi apenas um surto, mas uma armadilha cruel. Laurinha atrai Maria do Carmo (Regina Duarte) até o alto do edifício Cetenco Plaza, na Avenida Paulista, onde funcionavam os símbolos do poder da rival: a Do Carmo Veículos e a boate Sucata.

Antes de se atirar, a vilã arranca o brinco de Maria do Carmo para simular uma luta física, garantindo que a “sucateira” fosse acusada de seu assassinato. As gravações aconteceram na madrugada de 7 de outubro, um domingo, no edifício Cetenco Plaza, na Avenida Paulista.

Bastidores da morte de Laurinha em “Rainha da Sucata”

No total, as gravações duraram mais de 12 horas e tiveram acompanhamento de cerca de 300 pessoas, de acordo com estimativas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Para realizar a cena da queda, o diretor Jorge Fernando utilizou uma boneca de pano com cabeça de manequim, vestida com o figurino da personagem, lançada do alto do prédio isolado.

Um dos marcos artísticos da cena foi a montagem. Enquanto a tragédia de Laurinha acontecia na capital paulista, as imagens se intercalaram com o show da bailarina Adriana (Cláudia Raia), apresentando canções do musical Cabaré. Curiosamente, os números musicais foram gravados no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, criando o contraste que imortalizou o momento.

Assista ao vídeo da cena:

“Rainha da Sucata”