Inspirada em novela que mostrou em 1986 uma mulher à frente de seu tempo, “Dona Beja”, da HBO Max, vai “enfiar o dedo na ferida da sociedade” com novos temas
Em 1986, a novela “Dona Beija” virou um marco do audiovisual brasileiro ao narrar a história de uma mulher à frente de seu tempo. Agora, a releitura “Dona Beja”, da HBO Max, quer apresentar os “frutos colhidos” a partir da novela original. E para isso, chega sem medo de incomodar.
“Tem muitas questões para a gente refletir. Os mais conservadores vão falar coisas absurdas, vão dizer que é lacração, vão virar o siri na lata… e isso é bom também. Eu tenho certeza absoluta, porque a gente enfia o dedo na ferida da sociedade”, afirmou Grazi Massafera, sem papas na língua.
Temas de “Dona Beja”

Machismo, racismo, transfobia e gordofobia são só alguns dos temas que serão retratados pela obra que chega ao streaming a partir de 2 de fevereiro. Justamente por isso, o elenco mostrou estar “pronto pro hate” durante a coletiva de imprensa de “Dona Beja”, que aconteceu nesta terça-feira (27), com a presença do Zappeando.
A luta do povo negro é também uma grande mudança em comparação à obra original.
Se em 1986 Beija não se relacionava com homens negros, em 2026 ela chega completamente apaixonada por Antônio (David Junior), um homem negro, livre, de família com posses e com a missão de libertar seu povo da escravidão.
“É uma releitura, não é um remake. Isso é super importante, mas não quer dizer que eu tenha pego a novela original e desrespeitado ou alterado. Não foi sobre isso”, afirmou o autor Daniel Berlinsky.

“A novela original, de 1986, que eu assisti quando eu era criança, era uma novela de uma mulher à frente do tempo. Isso pra mim era o mais importante, isso é que guiava toda a narrativa. Então, como fazer uma mulher à frente do tempo, 40 anos depois, em 2026? O que me guiou foi uma mulher fazendo coisas que a gente não estava acostumado a ver na TV e, sobretudo, nas novelas.”
A partir desse contexto, o autor escreveu sobre homens negros em cima de cavalos, e não “puxando cavalos”, como destacou o ator David Junior.
Especificamente sobre os grupos sociais retratados na trama, Berlinsky afirma que não precisou inventar famílias negras com posses. Ele lembra que essa era uma realidade de ex-escravizados que é pouco ou quase nada lembrada na nossa sociedade.
A atriz Thalma de Freitas chegou a afirmar que sua personagem, Josefa, é uma “representação de histórias que existiram e nunca aprendemos”.

