De Batanga a Barro Preto: onde foram gravadas as cenas de “A Nobreza do Amor”

“A Nobreza do Amor” se divide entre Brasil e África com cidade fictícia e reino de Batanga adaptados pela equipe de produção

Se você está por fora de onde a magia de “A Nobreza do Amor” acontece, prepara o roteiro porque a produção não brincou em serviço. A novela estreou nesta segunda (16) prometendo uma viagem entre dois continentes e, para dar conta dessa escala, a logística foi digna de cinema.

A trama se divide entre dois universos fictícios: o Reino de Batanga, na África, e a cidade de Barro Preto, no interior do Rio Grande do Norte. Mas a curiosidade começa já na abertura: aquelas cenas que surpreenderam o público durante o primeiro capítulo foram gravadas em Niterói.

“A Nobreza do Amor”: onde foi gravada a nova novela das 18h

Rio Grande do Norte como cenário principal

Para dar vida a esse projeto, a produção contou com um esquema complexo de gravações que começou em dezembro de 2025, quando uma equipe de 150 pessoas e mais de 25 toneladas de equipamentos desembarcou no solo potiguar para captar imagens em dunas, falésias, praias e parques.

Equipe de “A Nobreza do Amor” gravou no Rio Grande do Norte (Crédito: TV Globo/Estevam Avellar)

A logística pesada envolveu desde caminhões de figurino e arte até geradores e veículos especiais para garantir a estabilidade das câmeras em terrenos arenosos. Segundo a gerente de produção Andrea Kelly, o Rio Grande do Norte foi escolhido estrategicamente por ser o ponto do Brasil mais próximo da África, permitindo encontrar locações que refletissem as semelhanças geográficas entre os dois continentes.

“A menor distância entre o Brasil e a África está nesse estado, em um ponto onde se costuma falar que o vento faz a curva. Buscamos, então, locações que refletissem as muitas semelhanças entre os dois continentes. O resultado ficou lindo, e nos dá um orgulho imenso”, afirmou a produtora.

Entre os cenários escolhidos no estado estão o Parque Nacional da Furna Feia, as Dunas do Rosado, Maracajaú e a Barreira do Inferno. As gravações passaram por diversas cidades, como Areia Branca, Porto do Mangue, Guamaré, Macau, Maxaranguape, Mossoró, Parnamirim, Tibau do Sul e a capital Natal.

(Crédito: TV Globo/Estevam Avellar)

Todo esse esforço visual busca criar uma conexão direta com o reino africano da trama, trazendo um resultado que, segundo a produção, gera um imenso orgulho pela fidelidade estética alcançada.

Niterói virou reino africano

Apesar da ambientação no Rio Grande do Norte, as cenas que abriram a novela foram gravadas em janeiro na Fortaleza de Santa Cruz da Barra, em Niterói, no Rio de Janeiro. Um minucioso trabalho artístico transformou o sítio histórico, que começou a ser construído em 1555, no coração de Batanga.

Foi nesse cenário que aconteceram momentos cruciais da história, como a coroação do rei Cayman (Welket Bungué) e da rainha Niara (Erika Januza), a apresentação da princesa Alika (Duda Santos) aos súditos, o golpe de Jendal (Lázaro Ramos) e a épica batalha dos africanos contra os colonizadores portugueses pela independência.

(Crédito: TV Globo/Estevam Avellar)

Além da fortaleza, outras locações no Rio, como pedreiras, fazendas e canaviais, seguem sendo utilizadas para dar suporte às cenas de ambos os núcleos da novela.

Os universos nos Estúdios Globo

Nos Estúdios Globo, a produção ergueu uma estrutura de mais de 4.500 metros quadrados para abrigar os dois mundos da novela. O projeto de Batanga, liderado pela cenógrafa Paula Salles, ocupa 974 metros quadrados e funciona como uma extensão visual da fortaleza de Niterói após a retomada do poder pelo povo africano.

O conceito do reino é guiado pela ideia de “terra sagrada”, tendo como símbolo central um baobá cenográfico de seis metros e meio de altura e uma copa de doze metros, construído com estrutura metálica e placas de poliuretano.

Reino fictício de Batanga em “A Nobreza do Amor” (Crédito: Globo/Gabriel Vaguel)

Ao redor da árvore, a cenografia utiliza elementos da cultura africana, como os muxarabis e os símbolos adinkra, presentes em portas e figurinos. Na sala do trono, o destaque fica para o trabalho artesanal em madeira e as referências aos orixás Iansã e Xangô, reforçando a opulência e a ancestralidade do reino.

Já Barro Preto, assinada por Fábio Rangel, é uma cidade de 3.532 metros quadrados inspirada em referências históricas de Olinda e Cachoeira. Concebida como um lugar “parado no tempo”, a cidade se organiza em torno de uma praça central, homenageando clássicos como “Roque Santeiro” e “Tieta”.

(Crédito: Globo/Gabriel Vaguel)

Um dos detalhes mais inusitados é o busto da mãe do prefeito Bartô, que ganha vida através de computação gráfica. Enquanto Batanga usa tons terrosos e já possui iluminação própria, Barro Preto. ficcional e também ambientada no Rio Grande do Norte, é marcada por casas coloridas e o uso de lamparinas.

A conexão entre os dois mundos aparece de forma sutil na arquitetura de personagens como José/Zambi (Bukassa Kabengele), onde símbolos como o Sankofa reforçam que o território brasileiro da novela é profundamente atravessado pela herança africana.

“A Nobreza do Amor”