Filmes 08 de julho, 2026 Por Tatiana Leonel

Por que “Herança de Narcisa” promete se destacar entre os filmes nacionais de 2026: todos os detalhes revelados

Filme chega aos cinemas com mistura de terror, drama e suspense que promete mexer com os espectadores

O cinema de terror brasileiro vem ganhando cada vez mais força e maturidade e o ano de 2026 reserva uma das promessas mais intrigantes do gênero. “Herança de Narcisa” não é apenas mais um filme de sustos e espíritos: é uma obra atmosférica que costura traumas familiares com o sobrenatural.

O Zappeando teve a oportunidade de assisti-lo antes da estreia nos cinemas e lista abaixo os principais motivos pelos quais o longa tem tudo para se tornar um marco recente do nosso audiovisual.

Por que “Herança de Narcisa” promete se destacar: motivos para assistir

Sinopse cheia de mistérios

O enredo de “Herança de Narcisa” acompanha o retorno de Ana (Paolla Oliveira) à casa onde passou a infância. O antigo lar, um velho casarão localizado no tradicional bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, é a única herança deixada por sua recém-falecida mãe, a vaidosa e instável ex-vedete Narcisa (Paolla Oliveira).

(Crédito: Reprodução/Cred Olhar Filmes)

Decidida a vender o imóvel o quanto antes, Ana começa a revirar o local ao lado de seu irmão, que decide abrir um verdadeiro mar de antigos traumas e mistérios ao destrancar o camarim de sua mãe — o local exato onde estão guardados os segredos de sua morte.

Após o irmão ir embora, Ana passa a ser assombrada por uma maldição ancestral e pelo espírito perturbado da mãe. Para sobreviver ao mal que a ronda, ela precisa confrontar as mágoas profundas e as memórias de uma relação tóxica que nunca foi resolvida. Quanto mais você assiste, mais fica imerso na história.

Atuação visceral de Paolla Oliveira

Em sua estreia no gênero de terror, Paolla Oliveira entrega uma atuação simplesmente impecável ao se desdobrar em dois papéis complexos. A atriz assume o desafio com uma entrega rara, mostrando uma versatilidade que deve surpreender o público e a crítica, recebendo elogios em festivais internacionais.

(Crédito: Reprodução/Olhar Filmes)

O que mais impressiona na performance de Paolla, que dispensou o uso de dublês, é a capacidade de transmitir a densidade de suas personagens no silêncio. Mesmo nas cenas completamente desprovidas de diálogos, o peso do trauma, o medo e a angústia transparecem de forma visceral em seu olhar e em sua linguagem corporal. A interpretação ancora o filme na realidade psicológica das personagens.

Durante coletiva de imprensa que o Zappeando participou, Paolla comentou sobre a estreia no gênero. “Foi estranho mesmo, mas até que ficou bom”, brincou. “A minha sensação quando soube que é uma coisa meio de terror, tudo que vinha ali já descrito pra gente, já era meio assustador (…) Eu falei ‘será que eu vou dar conta?’. Sou medrosa”.

“Não sou uma mulher adepta dos filmes de terror”, confessou. “Tinha uma locação muito específica, um pouco assustadora, falei ‘isso não vai dar certo, no meio do caminho vou me perder, vou perder a personagem’, mas foi ótima essa experiência”, garantiu a atriz, que também ficou satisfeita com o resultado.

Roteiro bem construído

Dirigido e roteirizado por Clarissa Appelt e Daniel Dias, o longa promete se destacar no cinema nacional justamente pela solidez de sua narrativa. Em vez de apelar para soluções fáceis, a dupla constrói um suspense progressivo, onde cada pista e elemento revelado no casarão serve a um propósito maior.

O texto brilha ao amarrar as pontas soltas do passado da família com os fenômenos sobrenaturais do presente. Há um cuidado cirúrgico no desenvolvimento dos diálogos e na progressão dramática, fazendo com que o espectador tente desvendar o que é real e o que é fruto do psicológico abalado dos protagonistas.

(Crédito: Reprodução/Olhar Filmes)

“Tudo que vinha ali já descrito pra gente já era meio assustador. Muita coisa se resolve no set ou filmando, vem a cara do diretor, mas no caso da escrita de Clarissa e Daniel não”, entregou Paolla. “Tinha uma locação muito específica e um pouco assustadora”, relembrou também a atriz.

Inspiração real para a história

A ideia de “Herança de Narcisa” partiu de uma vivência de uma das diretoras, Clarissa Appelt, durante a pandemia de Covid-19. “A gente escreveu esse roteiro de uma forma louca, na pandemia eu estava em Los Angeles, bateu pandemia, voltei para o Brasil no meio dessa doideira. Não tinha onde morar, onde ficar, fiquei na casa dos meus pais um tempinho”.

“Aí eu comecei a entrar em contato com algumas coisas, trauma familiar, coisas assim, aí eu falei para o Daniel ‘vou escrever uma história de uma filha que é possuída pela própria mãe, de certa forma, que é meio que tomada’. E aí o Daniel comprou essa pilha, a gente escreveu em 15 dias o roteiro, o primeiro tratamento”.

(Crédito: Tomzé Fonseca/Agnews)

De acordo com Clarissa, outro diretor parceiro ajudou a chegar até Paolla, que já conhecia. A atriz gostou do projeto após fazer uma primeira leitura com sua agente e decidiu embarcar nessa nova aventura em sua carreira. “Bem tranquilo o período da Clarissa na casa da mãe”, brincou a atriz.

Mistura de terror com drama

Para além dos sustos, “Herança de Narcisa” traz uma mensagem profunda e cheia de significado. Ao focar no enigmático casarão do Cosme Velho, o longa aborda a ancestralidade feminina e a complexa herança emocional mal resolvida entre mãe e filha.

A atmosfera sufocante do camarim trancado e o próprio espírito da ex-vedete Narcisa servem como metáforas perfeitas para as mágoas sufocadas de uma relação tóxica.

É um filme intenso, que equilibra o drama familiar e o horror de forma madura, sem precisar repetir os clichês desgastados do gênero para impressionar quem está assistindo.

(Crédito: Divulgação/Olhar Filmes)

De acordo com Daniel, Clarissa fez uma pesquisa sobre o terror de terapia ou horror de cura, que se referem ao uso do medo, suspense e filmes de terror como uma ferramenta de catarse e enfrentamento de traumas na saúde mental.

“Foi o que me chamou para o voo. Eu sou muito do drama, o que me comove nas histórias são histórias meio catárticas assim. Finais potentes me movem muito”, confessou o diretor. “A gente teve essa ideia né do terror de terapia porque eu sempre gostei do terror, mas eu gosto do terror por uma razão totalmente diferente do porque as pessoas gostam do terror”, complementou Clarissa.

“O que eu gosto do terror é a capacidade que o terror tem de mexer com o nosso inconsciente, a capacidade que tem de mexer com o nosso emocional, com nossa psicologia (…) eu acho que é um dos gêneros mais viscerais no sentido de chegar lá e dar uma sacudida na gente”, analisou, em seguida.

“A coisa mais assustadora que você tem pra falar às vezes é uma sensação, é um sentimento, não é necessariamente um terror com sangue ou espírito ou possessão. É um artifício pra que coisas absolutamente dramáticas, sentimentais e da vida real fossem ditas e que a gente conseguisse se impactar com elas”, opinou Paolla.

Baixo orçamento

Outro grande mérito da produção é provar que a criatividade e a boa execução técnica superam a falta de um orçamento elevado. O filme fez muito com pouco dinheiro. Ao centralizar a maior parte da trama em uma única locação principal — o casarão — a equipe transformou a limitação orçamentária em uma ferramenta de imersão.

O design de som cirúrgico, a fotografia que sabe brincar com as sombras e a direção de arte focada nos detalhes do camarim criam um valor de produção altíssimo. “Herança de Narcisa” é a prova viva de que o cinema nacional de gênero sabe entregar obras de enorme impacto visual e psicológico com inteligência e otimização de recursos.

(Crédito: Divulgação/Olhar Filmes)

“A gente sabe que no Brasil é um certo desafio a gente conseguir botar dinheiro para fazer filme, esses filmes de terror que dão público aqui no Brasil tem orçamentos milionários gente e fazem coisas loucas. O que eu acho incrível justamente é que esse ano a gente tá botando isso em xeque com filmes como ‘Obsessão’ mesmo, que teve um orçamento baixíssimo e deu super certo”, pontuou Clarissa.

“O terror não precisa ser pirotécnico, eu não acredito nisso, então nosso filme também, é um baixo orçamento, fez com muito pouco e a gente conseguiu porque tem um uma âncora emocional, não é só as cenas de terror e o clima que eu acho que também é um olhar mesmo, uma sensibilidade, para conseguir criar esse clima do suspense né da ficar nervoso, ficar com medo”.

“Herança de Narcisa” estreia nos cinemas em 9 de julho.

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