Em dose dupla e brilhando nos silêncios, atriz entrega performance impecável em trama intensa que promete emocionar o público brasileiro
“Herança de Narcisa”, dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias, promete se destacar no cinema nacional. Protagonizado por Paolla Oliveira, o novo filme chega aos cinemas em 9 de junho, misturando drama familiar e horror na medida exata.
O Zappeando assistiu antes da estreia durante a coletiva de imprensa, no Cine Belas Artes, reunindo as principais impressões para quem deseja saber se vale a pena conferir o lançamento — que já se tornou um sucesso de escala internacional.
“Herança de Narcisa”: vale a pena assistir ao filme?
Em sua estreia no gênero de terror, Paolla Oliveira entrega uma atuação simplesmente impecável ao se desdobrar em dois papéis complexos. O filme acompanha Ana, que retorna ao seu lar de infância, no Rio de Janeiro, após a morte de sua mãe, a ex-vedete Narcisa.
Ana encontra uma casa imersa em mistério, angústia familiar e segredos que se recusam a ficar enterrados. À medida que começa a revirar o imóvel junto com seu irmão Diego (Pedro Henrique Müller), Ana navega por um mar de antigos traumas, mistérios e medos.

Para sobreviver, a protagonista precisa confrontar as mágoas e as memórias, ao mesmo tempo em que se vê possuída pelo espírito de Narcisa. O que mais impressiona na performance de Paolla é a capacidade de transmitir a densidade de suas personagens no silêncio.
Mesmo nas cenas desprovidas de diálogos, o peso do trauma e a emoção transparecem de forma visceral em seu olhar e em sua linguagem corporal. A entrega magnética é sustentada por um roteiro brilhante e cirúrgico de Clarissa e Daniel que, apesar do baixo orçamento, conseguem prender o espectador do início ao fim.

A dinâmica familiar é um acerto à parte: o irmão da protagonista, Diego, é construído de uma forma que desperta uma raiva genuína no espectador, funcionando como o catalisador perfeito que nos faz torcer para ver a protagonista brilhar e se libertar sozinha, algo que não costuma acontecer em filmes do gênero.
O terror psicológico e a ancestralidade feminina
Para além dos sustos, “Herança de Narcisa” traz uma mensagem profunda e cheia de significado. Ao focar no casarão do Cosme Velho, o longa aborda a ancestralidade feminina e a complexa herança emocional mal resolvida entre mãe e filha.
A atmosfera sufocante do camarim e o espírito da ex-vedete Narcisa servem como metáforas perfeitas para as mágoas de uma relação tóxica. É um filme intenso, que equilibra o drama e o horror de forma madura, sem precisar repetir clichês do gênero para impressionar.
O impacto é tamanho que, como bem definiu a própria diretora Clarissa Appelt, é impossível sair do cinema sem refletir e sentir uma vontade avassaladora de abraçar a própria mãe.
“Herança de Narcisa” chega aos cinemas brasileiros em 9 de julho.

