“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” despontou como melhor filme do ano e recebeu vários elogios da crítica especializada
Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático e favorito ao Oscar 2026, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” não é apenas mais uma cinebiografia de época. Sob a direção sensível de Chloé Zhao, o longa mergulha em uma tragédia familiar pouco explorada pelos livros de história, revelando o homem vulnerável por trás da maior obra da literatura mundial.
Por que “Hamnet” é considerado o melhor filme do ano?
História real da vida de Shakespeare
Baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, o filme transporta o público para os anos formativos de William Shakespeare (Paul Mescal), muito antes de sua consagração nos palcos de Londres. O foco central é o impacto devastador da peste bubônica, que assolou a Europa entre os séculos XIV e XVI, atingindo o coração da família do escritor com a morte prematura de seu filho, Hamnet.

Segundo Stephen Greenblatt, professor de Harvard e especialista no autor, a epidemia era uma sombra constante na vida de Shakespeare. “No ano em que ele nasceu, uma parcela significativa da população de sua cidade morreu pela peste. O filme imagina como ele e sua esposa, Agnes, enfrentaram o que hoje entenderíamos como uma depressão profunda”, explicou o pesquisador, ao “Fantástico”.
Construção de Agnes em “Hamnet”
Embora o nome do dramaturgo atraia os holofotes, a força motriz do filme é Agnes (ou Anne), interpretada por Jessie Buckley. A atriz, que venceu a barreira da intimidação que sentia pelas obras do autor na escola, entrega uma performance visceral sobre o amor materno.

Buckley, que se tornou mãe logo após as filmagens, destaca a profundidade da obra: “Minha filha me mostrou o deslumbramento, e isso está no âmago deste filme. Com ‘Hamlet’, ele tirou algo extremamente pessoal para criar algo que transcendeu gerações”.
A imersão visual de Chloé Zhao
A diretora Chloé Zhao, conhecida por seu estilo naturalista, recriou o ambiente da época com um realismo impressionante. Em uma exposição recente em Londres sobre os bastidores da produção, Jessie Buckley revelou que os cenários iam além do visual.

“A Chloé cria mundos. Você não está pisando num set, você está entrando numa vida. Tem até cheiros específicos. Não dá vontade de sair”, afirmou. O ator Paul Mescal também traz uma nova camada, apresentando um William “pré-fama”, ainda em busca de suas palavras e profundamente conectado às suas raízes rurais e aos segredos de sua união com Agnes.
De Hamnet a Hamlet: A transmutação da dor
O ponto alto do filme é a conexão entre a perda real e a criação artística. Quatro anos após a morte do filho, Shakespeare escreveu sua peça mais famosa, Hamlet — cujo título é uma variação direta do nome da criança.
O longa é descrito como uma obra de silêncios e emoções viscerais. Considerado um dos favoritos do ano, o título prova que, quatro séculos depois, Shakespeare continua a ensinar a humanidade, mostrando que até a dor mais insuportável pode ser transmutada em beleza e arte imortal.

Repercussão de “Hamnet”
“Hamnet” obteve uma repercussão extremamente positiva, sendo celebrado pela crítica e pelo público como uma obra de arte profunda e comovente sobre luto, amor e história. A adaptação cinematográfica foi aclamada como uma “obra-prima moderna”.
A crítica destacou o impacto duradouro e a beleza com que o filme maneja o luto e a criação artística. Com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme venceu o Globo de Ouro 2026 de Melhor Filme – Drama, com Jessie Buckley ganhando como Melhor Atriz, elevando as expectativas para o Oscar.

“Com atuações marcantes a serviço de uma visão clara e segura de Chloé Zhao, este é um comovente reflexo do “território desconhecido” da morte e do luto”, reagiu John Nugent, da Empire Magazine. “Este filme é bem-sucedido, não por desvendar o mistério, mas por aprofundá-lo ainda mais. É artificial e especulativo, mas ao mesmo tempo engenhoso e apaixonado”, reforçou Peter Bradshaw, do Guardian.
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” está em exibição nos cinemas brasileiros.

