“A Empregada”: diferenças entre o filme e livro chamam a atenção dos fãs (até o final mudou!)

Filme tomou liberdades artísticas e promoveu mudanças na trama de “A Empregada”: veja as principais diferenças

Sob a direção de Paul Feig, a adaptação cinematográfica de “A Empregada” mantém-se parcialmente fiel à obra original de Freida McFadden. Embora o roteiro apresente ajustes pontuais para otimizar o ritmo narrativo das telas, a essência do thriller psicológico permanece intacta.

Tanto o livro quanto o filme focam sua trama em Millie (Sydney Sweeney), uma doméstica que, contratada pelos Winchester, acaba emaranhada em uma perigosa rede de segredos e manipulações envolvendo o casal. O final, no entanto, mudou completamente entre as duas versões.

Confira detalhes!

“A Empregada”: diferenças entre o filme e o livro

Construção de Millie

Enquanto o livro “A Empregada”, mergulha profundamente na psique de Millie, utilizando seu ponto de vista para expor dilemas e traumas latentes, o filme de Paul Feig opta por uma abordagem mais pragmática. Na obra original, o acesso direto aos pensamentos da protagonista intensifica sua ambiguidade moral.

Na adaptação, em contrapartida, essa subjetividade é traduzida em ações e recursos visuais. Embora a essência de Millie seja preservada, o longa substitui a reflexão interna por uma construção de personagem mais externa e objetiva.

(Crédito: Reprodução/Lionsgate)

Nina é vilã em “A Empregada”?

O ponto de virada fundamental — a revelação de que Nina (Amanda Seyfried) é, na verdade, uma vítima de Andrew (Brandon Sklenar) e não a antagonista principal — é mantido no longa, mas a jornada até essa reviravolta sofre alterações. Enquanto no livro os jogos psicológicos de Nina contra Millie representam uma crueldade minuciosa, a adaptação cinematográfica muda um pouco a percepção.

O filme, portanto, condensa essa tensão em episódios mais objetivos, como a cena da falsa denúncia do carro. Apesar de o desfecho sobre a verdadeira natureza de Andrew ser o mesmo, a Nina das telas parece mais impulsiva, já que sua transição de “algoz” para “vítima” ocorre de forma mais condensada.

Sydney Sweeney e Amanda Seyfried em "A Empregada"
(Crédito: Divulgação/ Paris Filmes)

Nova perspectiva sobre Andrew

A adaptação para o cinema potencializou o perigo representado por Andrew. Diferente do livro, onde sua violência é revelada em camadas, o longa traduz essa maldade de forma explícita e visual desde cedo. Essa mudança estratégica não apenas eleva a tensão do suspense, mas também oferece ao público uma justificativa mais clara e rápida para as decisões extremas que as protagonistas são forçadas a tomar no ato final.

Personagens secundários em destaque

A principal divergência estrutural entre as obras envolve o tratamento dos personagens secundários. Enquanto no livro Evelyn, a mãe de Andrew, possui um papel quase simbólico, na adaptação cinematográfica ela ganha contornos mais definidos.

A personagem serve como uma peça-chave para explicar a psicopatologia e o histórico de abusos do filho. Por outro lado, Enzo (Michelle Morrone) — peça fundamental na literatura — tem sua importância reduzida nas telas, tendo suas funções narrativas redistribuídas, principalmente para a filha de Nina.

“A Empregada” (Crédito: Daniel McFadden/ © Lionsgate)

Finais distintos de “A Empregada”

Provando seu caráter e frieza, Andrew, eventualmente, obriga Millie a fazer 21 cortes na própria barriga com o caco de uma louça que ela mesma quebrou. Após fazer os cortes exigidos, a protagonista finge dormir para que ele entre no quarto para soltá-la, conseguindo prendê-lo em seu lugar.

No best-seller, ao invés de fazer Millie se cortar com o caco, Andrew a obriga a equilibrar vários livros na barriga por horas. Entretanto, a sequência também é parecida: a protagonista engana o abusivo e o obriga a arrancar um dente para que ela o liberte. Nina, arrependida, retorna para salvá-la.

Quando ela chega na residência dos Winchester e vai para o quarto do sótão, porém, acaba libertando Andrew, que tenta se vingar de Millie. A protagonista, por outro lado, consegue se esconder, enquanto o criminoso insiste para reatar com Nina, que deixa claro que não vai ter nada com ele.

(Crédito: Divulgação/ Paris Filmes)

Quando Andrew ameaça avançar para machucá-la, Millie ressurge e o empurra na beira da escada. Como resultado do ataque, o abusivo despenca de uma grande altura, bate diversas vezes no caminho e cai morto no térreo. Nina, em seguida, aconselha a amiga fugir e decide assumir as consequências.

O desfecho ganha contornos de justiça poética quando a investigadora do caso revela ser irmã de Kathy, a primeira noiva de Andrew. Marcada pelo trauma da irmã, que jamais se recuperou após fugir do agressor, a policial decide acobertar Millie e Nina.

Com o crime omitido pelas autoridades, Nina herda a fortuna do marido e recompensa Millie com uma quantia milionária, garantindo que a empregada tenha os recursos necessários para reconstruir sua vida longe do passado. O final do livro é um pouco diferente.

O que acontece no final do livro em “A Empregada”

Nina, portanto, volta à mansão após ser pressionada por Enzo, seu cúmplice no plano contra Andrew. Ao descer para o sótão, contudo, a protagonista encontra o marido já morto e com vários dentes arrancados, após ser torturado por Millie, que o deixa preso durante dias, sem água e comida, levando o abusivo a morrer de desidratação, de forma muito mais cruel que no longa.

Quando Nina descobre Andrew morto, Millie aparece e as duas conversam, momento em que a ex-patroa decide assumir a culpa. Uma divergência pontual, mas significativa na resolução da trama, reside na identidade de quem conduz a investigação final.

Enquanto no filme a decisão de ignorar a culpa de Nina parte de uma policial que revela ser irmã de Kathy (a ex-noiva traumatizada de Andrew), no material original de Freida McFadden esse papel cabe a um detetive. No livro, a motivação é ainda mais paternal, pois o investigador revela ser, na verdade, o pai de Kathy.

“A Empregada” está disponível nos cinemas.

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