
Um dos maiores guitarristas de blues de todos os tempos, B.B. King foi responsável por manter a tradição do gênero ao longo de todo o século XX – inclusive, fazendo a transição para o século XXI ( confira curiosidades sobre o músico).
Na madrugada do dia 15 de maio, o músico morreu, aos 89 anos, por complicações com a diabete.
Em cerca de 60 anos de carreira, o músico eternizou diversos hits do blues. Vamos relembrar alguns deles:
“Please Love Me”
É uma das principais canções de seu primeiro disco, “Singing’ The Blues”. Com o apoio dos metais de Maxwell Davis (sax tenor), Jake ‘Vernon’ Porter (trompete), entre outros músicos, B.B. King mostrou que também poderia ser proficiente no rock’n roll (apenas ‘poderia’, porque ele se recusou a seguir o gênero em sua carreira). Por mais que tivesse um clima condizente com o que Muddy Waters explorava na época, “Please Love Me” é mais enraizado na estrutura musical popularizada por T. Bone Walker, também um dos principais guitarristas do blues.
“Three O’ Clock Blues”
A versão de B.B. King para um clássico de Lowell Fulson tornou-se, em 1951, seu primeiro grande hit: permaneceu no topo das paradas R&B por cinco semanas. Por conta do sucesso, foi responsável por formatar o estilo canto-e-resposta entre sua voz e sua forma de tocar guitarra. Mesmo depois de muitos singles e sucessos, “Three O’ Clock Blues” ainda possui um de seus solos mais estonteantes.
“The Thrill is Gone”
Composta em 1951 pelos bluesman da Costa Oeste Roy Hawkins e Rick Darnell, a canção ficou eternizada por B.B. King, chegando a lhe render um Grammy, em 1970. É uma das faixas que melhor resume a essência do guitarrista: apenas poucos acordes de seu solo são suficientes para emocionar os ouvintes. “Todas as minhas ideias estão ali reunidas”, disse B.B. King.
“How Blue Can You Get?”
Das muitas apresentações impecáveis de B.B. King, “Live in Cook Country Jail” foi uma das mais importantes de sua carreira, por dar um ‘renascimento’ à sua obra. Um dos takes mais notáveis é “How Blue Can You Get?”: o guitarrista consegue extrair o silêncio dos prisioneiros numa introdução sublime, que transcende a técnica de tocar em 12 compassos. Foi escrita pelo crítico de música Leonard Feather e sua mulher, Jane, a partir de uma canção de Johnny Moore’s Three Blazers, de 1949.
“Sweet Sixteen”
Início dos anos 1960, na música, era início da era do rock’n roll. B.B. King sentiu esse impacto quando percebeu que suas músicas não estavam mais atingindo o topo das paradas. Portanto, deixou as baladas de lado e voltou a desenvolver o blues calcado em notas de 12 compassos. “Sweet Sixteen” – que não tem nada a ver com o single de Chuck Berry, “Sweet Little Sixteen” – mostra o bluesman falando sobre amor como se esperaria de um bluesman. Aqui, ele se rasga de emoções, atingindo, também, maior alcance das notas vocais.
“Everyday I Have the Blues”
Originalmente composta em 1935 por Aaron Sparks, “Everyday I Have the Blues” tornou-se um standard de sucesso, principalmente após ser moldada pelo lendário pianista Memphis Slim. Duas versões, no entanto, se destacam de todas as outras: a da orquestra de Count Basie, acompanhando Joe Williams, e a de B.B. King, cuja guitarra surge como maestro de uma instigante sessão de metais. Sua versão é um ‘boogie-woogie blues’ que não deixa ninguém parado.
“Don’t Answer the Door”
Dizia o músico Son House que o blues é, basicamente, a canção de um negro que sofre pela amada. Se esta é a verdade absoluta, “Don’t Answer the Door” é uma das canções mais profundas do gênero. B.B. King diz: “não quero uma alma girando pela minha casa quando eu não estou”. Misteriosa, a canção apresentou outra de suas inovadoras técnicas na guitarra, utilizando os riffs como se fossem rajadas.
“Teardrop From My Eyes”
No disco “Blues’ N Jazz”, B.B. King repaginou suas canções no formato de standards jazzísticos. Isso lhe rendeu um Grammy, em 1985, por Melhor Gravação de Blues. Em “Teardrop From My Eyes”, o bluesman dá espaço para que outros instrumentos, como o piano de Lloyd Glenn e o baixo de Major Holley, tenham o mesmo destaque de sua guitarra, que permanece rítmica na maior parte da canção. A canção termina, claro, com sua guitarra brilhando.
“My Guitar Sings the Blues”
Em 1985, já com 50 anos, B.B. King lançou um disco comemorativo que mostrava seus clássicos com uma produção mais orquestrada. Ainda que “Six Silver Strings” tenha causado estranheza por conta dos arranjos, a canção “My Guitar Sings the Blues” mostrou o bluesman em grande forma. O single rendeu mais um Grammy ao músico.
“Lucille”
Falou em B.B. King, falou em guitarra. E falou em guitarra, para o bluesman, falou de Lucille. Como o músico canta, ela “me tirou das plantações e me trouxe fama” (essa e outras histórias são detalhadas neste link). A canção é uma espécie de ode de B.B. King ao instrumento, tanto que ele mais conversa do que canta. O acompanhamento musical instiga as emocionantes notas espaçadas do guitarrista. São 10 minutos de deleite aos fãs de blues.
