Por que “Hamnet” é o melhor filme do ano: traz drama real da vida de Shakespeare

“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” despontou como melhor filme do ano e recebeu vários elogios da crítica especializada

Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático e favorito ao Oscar 2026, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” não é apenas mais uma cinebiografia de época. Sob a direção sensível de Chloé Zhao, o longa mergulha em uma tragédia familiar pouco explorada pelos livros de história, revelando o homem vulnerável por trás da maior obra da literatura mundial.

Por que “Hamnet” é considerado o melhor filme do ano?

História real da vida de Shakespeare

Baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, o filme transporta o público para os anos formativos de William Shakespeare (Paul Mescal), muito antes de sua consagração nos palcos de Londres. O foco central é o impacto devastador da peste bubônica, que assolou a Europa entre os séculos XIV e XVI, atingindo o coração da família do escritor com a morte prematura de seu filho, Hamnet.

(Crédito: Agata Grzybowska/© 2025 FOCUS FEATURES LLC)

Segundo Stephen Greenblatt, professor de Harvard e especialista no autor, a epidemia era uma sombra constante na vida de Shakespeare. “No ano em que ele nasceu, uma parcela significativa da população de sua cidade morreu pela peste. O filme imagina como ele e sua esposa, Agnes, enfrentaram o que hoje entenderíamos como uma depressão profunda”, explicou o pesquisador, ao “Fantástico”.

Construção de Agnes em “Hamnet”

Embora o nome do dramaturgo atraia os holofotes, a força motriz do filme é Agnes (ou Anne), interpretada por Jessie Buckley. A atriz, que venceu a barreira da intimidação que sentia pelas obras do autor na escola, entrega uma performance visceral sobre o amor materno.

(Crédito: © 2025 FOCUS FEATURES LLC)

Buckley, que se tornou mãe logo após as filmagens, destaca a profundidade da obra: “Minha filha me mostrou o deslumbramento, e isso está no âmago deste filme. Com ‘Hamlet’, ele tirou algo extremamente pessoal para criar algo que transcendeu gerações”.

A imersão visual de Chloé Zhao

A diretora Chloé Zhao, conhecida por seu estilo naturalista, recriou o ambiente da época com um realismo impressionante. Em uma exposição recente em Londres sobre os bastidores da produção, Jessie Buckley revelou que os cenários iam além do visual.

(Crédito: Agata Grzybowska/© 2025 FOCUS FEATURES LLC)

“A Chloé cria mundos. Você não está pisando num set, você está entrando numa vida. Tem até cheiros específicos. Não dá vontade de sair”, afirmou. O ator Paul Mescal também traz uma nova camada, apresentando um William “pré-fama”, ainda em busca de suas palavras e profundamente conectado às suas raízes rurais e aos segredos de sua união com Agnes.

De Hamnet a Hamlet: A transmutação da dor

O ponto alto do filme é a conexão entre a perda real e a criação artística. Quatro anos após a morte do filho, Shakespeare escreveu sua peça mais famosa, Hamlet — cujo título é uma variação direta do nome da criança.

O longa é descrito como uma obra de silêncios e emoções viscerais. Considerado um dos favoritos do ano, o título prova que, quatro séculos depois, Shakespeare continua a ensinar a humanidade, mostrando que até a dor mais insuportável pode ser transmutada em beleza e arte imortal.

(Crédito: © 2025 FOCUS FEATURES LLC)

Repercussão de “Hamnet”

“Hamnet” obteve uma repercussão extremamente positiva, sendo celebrado pela crítica e pelo público como uma obra de arte profunda e comovente sobre luto, amor e história. A adaptação cinematográfica foi aclamada como uma “obra-prima moderna”.

A crítica destacou o impacto duradouro e a beleza com que o filme maneja o luto e a criação artística. Com 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme venceu o Globo de Ouro 2026 de Melhor Filme – Drama, com Jessie Buckley ganhando como Melhor Atriz, elevando as expectativas para o Oscar.

(Crédito: Agata Grzybowska/© 2025 FOCUS FEATURES LLC)

“Com atuações marcantes a serviço de uma visão clara e segura de Chloé Zhao, este é um comovente reflexo do “território desconhecido” da morte e do luto”, reagiu John Nugent, da Empire Magazine. “Este filme é bem-sucedido, não por desvendar o mistério, mas por aprofundá-lo ainda mais. É artificial e especulativo, mas ao mesmo tempo engenhoso e apaixonado”, reforçou Peter Bradshaw, do Guardian.

“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” está em exibição nos cinemas brasileiros.

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