Séries 24 de abril, 2026 Por Tatiana Leonel

O que a série documental de Ronaldinho Gaúcho na Netflix não mostrou: detalhes e polêmicas

Obra revisita a carreira do craque, mas deixa de fora episódios emblemáticos de sua trajetória

A nova série documental sobre Ronaldinho Gaúcho rapidamente se destacou na Netflix. Ao longo dos episódios, a produção faz um mergulho na trajetória do “Bruxo”, resgatando desde seus primeiros passos no futebol até o período em que foi coroado como um dos atletas mais geniais de sua época. Alguns detalhes e polêmicas, no entanto, ficaram de fora do roteiro do streaming.

O que a série documental de Ronaldinho Gaúcho não mostrou

Utilizando um rico acervo de imagens, depoimentos de figuras próximas e entrevistas exclusivas, a série documental foca em construir uma imagem carismática do ex-jogador. Apesar do tom celebrativo, a obra opta por não aprofundar — ou simplesmente omitir — certas passagens controversas e derrotas pesadas que também moldaram sua história pública.

Internacional no Mundial de 2006

Um dos silêncios mais notáveis da produção diz respeito à decisão do Mundial de Clubes de 2006, ocasião em que o Internacional de Porto Alegre desbancou o favoritismo do Barcelona. Naquele momento, Ronaldinho era o grande protagonista do futebol global, mas viu o time gaúcho erguer a taça após o gol de Adriano Gabiru.

Em declarações dadas tempos depois, Ronaldinho não escondeu a frustração com o desfecho daquela final, que representa um dos últimos grandes triunfos de um clube brasileiro sobre uma potência europeia. “Não que não levamos a sério, mas não era prioridade. Para mim doeu mais, estava no veneno. Para o resto do grupo parecia que era uma pelada”, revelou o astro.

(Crédito: Renato Varoli/Netflix)

O contexto da época ainda era cercado por uma famosa “lenda urbana”: a de que Ronaldinho teria planejado comemorar o título exibindo uma camisa do Grêmio, clube onde foi revelado, para provocar o rival colorado. Embora a série fosse o espaço ideal para confirmar ou desmentir tal boato, o torneio foi praticamente deletado da narrativa.

Prisão no Paraguai

A passagem de Ronaldinho e seu irmão, Roberto Assis, pelas celas paraguaias em 2020, aparece na série de forma enxuta. A produção sustenta a tese de que tudo não passou de um grande equívoco, sem explorar as camadas de uma investigação policial profunda.

A dupla foi detida por portar passaportes falsos, o que revelou uma rede de falsificação envolvendo empresários e figuras do governo local. Um detalhe que a série não explica é por que eles precisariam dos documentos, já que o ingresso no Paraguai é permitido apenas com o RG brasileiro.

Na época, os irmãos conseguiram recuperar seus passaportes nacionais após um acordo com o Ministério Público devido a uma infração ambiental anterior. Ronaldinho e Assis alegaram apenas que “receberam os documentos”. Após 171 dias detidos — parte em um presídio e parte em regime domiciliar em um hotel de luxo — eles pagaram uma multa e o processo teve fim em 2021.

(Crédito: Reprodução/Netflix)

Entretanto, o caso teve desdobramentos graves: a empresária Dália López, responsável pela confecção dos documentos, foi presa apenas em abril deste ano em Assunção, após anos foragida. Já o intermediário Wilmondes Souza Lira permanece na lista de procurados da Interpol.

Segundo Sérgio Queiroz, advogado do craque no período, Ronaldinho teria sido usado como uma “cortina de fumaça” para ocultar um esquema de evasão fiscal e ONGs de fachada.

Criptomoedas, NFTs e rede social

A fase “empreendedor digital” de Ronaldinho, marcada por projetos voláteis, também ficou de fora da tela da Netflix. A série ignora as iniciativas do craque no mercado de criptoativos, como a “Ronaldinho Soccer Coin” lançada em 2018 e a promoção da “Atari Token”.

Ronaldinho chegou a incentivar investidores na internet com a expressão “Atari Token para a lua”, mas a própria empresa Atari acabou rescindindo contratos e abandonando o projeto, que perdeu valor rapidamente. O ex-camisa 10 também explorou o metaverso e os NFTs, transformando sua imagem em personagens de jogos digitais.

Outra curiosidade cortada pela Netflix foi a tentativa de criar sua própria rede social em 2016, que substituía o “curtir” pelo sinal de hang loose, marca registrada do jogador. Mais recentemente, em 2025, ele se envolveu com a “Ronaldinho Coin” (STAR10), que sofreu uma queda de 80% sob suspeitas de manipulação de mercado, embora tenha voltado a registrar alta após a estreia do documentário.

“Ronaldinho Gaúcho” está disponível no catálogo da Netflix.

Séries da Netflix

COMPARTILHE: