Francesca, protagonista de “Bridgerton” teve o arco de infertilidade alterado, gerando críticas sobre a fidelidade aos livros
A Netflix mal anunciou que Francesca (Hannah Dodd) vai ser o rosto da quinta temporada de “Bridgerton” e já dividiu opiniões entre os fãs. A troca de gênero de seu par romântico — que nos livros é Michael, mas na série virou Michaela (Masali Baduza) — voltou ao centro das discussões.
As queixas, que à primeira vista podem parecer preconceituosas, estão, na verdade, ligadas a um pilar central do livro de Julia Quinn, que inspirou a série fenômeno. A protagonista alimentou, durante muito tempo, um desejo quase visceral de engravidar e ser mãe, detalhe que promete ficar esquecido.
História de Francesca na quinta temporada de “Bridgerton”
Na obra original, a jovem descobre que está grávida logo após a morte do marido, John (Victor Alli), mas sofre um aborto espontâneo. A dor de não ter gerado um herdeiro do seu grande amor é o que a impulsiona, anos depois, a voltar ao mercado casamenteiro em busca de uma família.
O romance com Michael é marcado por luto, culpa e, principalmente, pelo tema sensível da infertilidade. Francesca só alcança a maternidade no nono volume da saga, após muita resiliência. A abordagem, no entanto, muda totalmente no streaming, já que Michael foi substituído por Michaela.

O público, portanto, sentiu que a trama se afasta bastante do livro. Michaela já surgiu de forma invasiva e a própria Francesca pareceu “perder o chão” ao conhecê-la ainda na terceira temporada, o que, para muitos, diminuiu o luto que ela deveria sentir por John.
No best-seller, Francesca se aproxima de Michael despretensiosamente, sempre pedindo que conte sobre suas aventuras. A relação dos dois só muda anos depois da morte de John, a quem a condessa amou devotamente, assim como foi mostrado na série da Netflix.
Repercussão das críticas para “Bridgerton”
O anúncio da nova fase da série foi recebido com uma enxurrada de comentários negativos no perfil da Netflix. Além da reclamação pela mudança na ordem das histórias — já que muitos esperavam a temporada de Eloise (Claudia Jessie) pela ordem cronológica — o tom foi de decepção com o roteiro.
“Todo mundo fingindo que essa temporada não existe, né?”, ironizou uma internauta. Outra opinou que a produção “estragou uma das melhores histórias dos livros”, enquanto uma terceira criticou a Netflix: “Na primeira oportunidade de cagar tudo, a Netflix vai lá e caga. Errou muito!”.

“Uma afronta com os leitores é a história da Francesca. É uma das narrativas mais profundas de Bridgerton, marcada por luto, recomeços e, sobretudo, pela dor silenciosa da infertilidade, algo que tantas mulheres vivem e raramente veem representado com tanta sensibilidade. Apagar ou suavizar isso na adaptação não é só uma mudança criativa. É esvaziar completamente a essência da personagem”, escreveu uma seguidora.
“Não é sobre homofobia, igual as queridas estão tentando puxar. É sobre ser fiel às histórias que a gente leu”, defendeu outra. Existe a possibilidade de Francesca recorrer à adoção, mas a mudança foi aprovada pela própria Julia Quinn, que entendeu o desejo da showrunner, Jess Brownell, de explorar a sexualidade da protagonista e trazer mais diversidade para a época.
As quatro temporadas de “Bridgerton” estão disponíveis na Netflix. A quinta ainda não teve previsão de estreia divulgada.
