O dramaturgo morreu aos 95 anos e deixou legado histórico na dramaturgia com tramas que marcaram época
Benedito Ruy Barbosa, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, deixa um grande legado após sua morte. O autor de novelas clássicas começou sua trajetória longe da arte ao trabalhar como vendedor de verduras e faxineiro. Mas, a paixão pela escrita, o levou a roteirizar histórias inesquecíveis para diferentes gerações no Brasil.
Novelas de Benedito Ruy Barbosa se tornaram clássicos da dramaturgia
O mais velho entre cinco irmãos, Benedito Ruy Barbosa precisou começar a trabalhar cedo para ajudar a família após a morte de seu pai. Durante sua juventude, ele trabalhou como auxiliar em uma firma comercial e também foi vendedor de verduras e faxineiro.
A aproximação com a escrita chegou quando Barbosa conseguiu um emprego como revisor no jornal “Estado de S. Paulo”. A paixão pela escrita o levou a escrever seu primeiro romance, “Fogo Frio — obra adaptada para o teatro e premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Esse foi o início de sua trajetória de sucesso como roteirista. O autor estreou na televisão com “Somos Todos Irmãos”, na TV Tupi, em 1986, e depois seguiu para outras emissoras, tendo passagem pela Excelsior, Record e TV Cultura.
Em 1971, Ruy Barbosa escreveu a famosa novela “Meu Pedacinho de Chão”, que foi produzida em parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas.
Cinco anos depois e com o sucesso da obra, o dramaturgo recebeu a oportunidade de assinar um contrato com a Globo, emissora na qual firmou o seu legado, e teve uma sequência de sucessos na faixa das 18h.

Na época, Barbosa adaptou o romance de Ribeiro Couto em “Cabocla” (1979), e partiu para a TV Manchete, onde escreveu “Pantanal” (1990). Ao retornar para a Globo, ele escreveu outro clássico, “Renascer” (1993).
Entre grandes sucessos, o autor é conhecido por verdadeiras sagas em que construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, além de explorar a diversidade cultural. Ruy Barbosa sempre teve um interesse especial na imigração italiana e inclui amores intensos em suas narrativas.
Novelas mais famosas de Benedito Ruy Barbosa
“Meu Pedacinho de Chão”

No ar em 1971, “Meu Pedacinho de Chão” foi uma novela das 18h escrita por Benedito Ruy Barbosa e produzida em parceria da Globo com a TV Cultura.
A trama conta a história da professora Juliana (Renée de Vielmond), que chega à fictícia vila de Santa Fé para lecionar para crianças e se depara com um povo humilde e acuado com os desmandos do coronel Epaminondas (Castro Gonzaga), um homem arrogante que resolve tudo com gritos e armas, e que dita as regras na região.
A pedagoga conhece o amor do peão Zelão (Maurício do Valle), sempre disposto a protegê-la do assédio de Fernando (Ênio Carvalho), filho do coronel, um playboy mau-caráter.
“Pantanal”

“Pantanal”, novela que foi ao ar em 1990, é um dos maiores sucessos do autor. Exibida pela TV Manchete, a trama era ambientada no Pantanal Mato-grossense e inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro.
A novela acompanha o jovem José Leôncio (Claudio Marzo e Paulo Gorgulho), um peão de comitiva, que se muda com seu pai Joventino para o pantanal. Os dois decidem criar gado e passam a caçar bois selvagens nas redondezas, mas um dia Joventino sai para caçar sozinho e não retorna.
Anos depois, José Leôncio se torna um fazendeiro rico e dono de grandes propriedades. Ele se casa com uma moça da cidade grande que ela não se adapta ao mundo rural e foge para o Rio de Janeiro com o filho pequeno dois dois, Joventino Neto (Marcos Winter).
Já adulto, o menino retorna para o Pantanal para encontrar o pai, mas os dois não conseguem se entender. Ele decide retornar para a cidade, mas antes, acaba se apaixonando por Juma (Cristiane Oliveira), uma moça criada como selvagem pela mãe.
“Rei do Gado”

Mais um sucesso de Ruy Barbosa é “Rei do Gado”, novela de 1996, da TV Globo. A trama segue a história de amor de Bruno Mezenga (Antonio Fagundes 2ª fase) e da boia-fria Luana (Patrícia Pillar).
Ambos são descendentes de duas famílias de imigrantes italianos rivais, os Mezengas e os Berdinazi, que fizeram fortuna no Brasil com criação de gado e plantações de café, respectivamente.
A novela, dividida em duas fases, levantou um debate sobre a luta por posse de terra que ultrapassou o universo ficcional e ganhou repercussão na mídia e na sociedade em geral.
“Terra Nostra”

Novela de 1999, “Terra Nostra”, escrita por Ruy Barbosa, traz parte da história da formação da sociedade brasileira do início do século XX, que é contada a partir do romance de dois jovens italianos, Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda).
Eles se conheceram em 1894 a bordo do navio que transportava imigrantes para trabalhar no Brasil. Mas, ao aportar no Brasil, são separados e precisam seguir destinos diferentes.
A moça é acolhida pelo imigrante Francesco Maglianno (Raul Cortez), grande amigo de seu pai, que prosperou em solo brasileiro. Matteo arranja emprego na colheita de café da fazenda do coronel Gumercindo Aranha (Antonio Fagundes).
Apesar da separação, o casal de apaixonados enfrentam e resiste a todos os conflitos e provações para conseguirem permanecer juntos.
“Velho Chico”

A última novela de Benedito Ruy Barbosa foi “Velho Chico”, exibida em 2016. O roteiro da obra foi feito com a colaboração de Edmara Barbosa, filha do autor, e Bruno Luperi, neto dele.
A trama principal acompanha a disputa de terras e poder entre as famílias de Maria Tereza de Sá Ribeiro (Isabella Aguiar/ Julia Dallavia/ Camila Pitanga) e Santo dos Anjos (Rogerinho Costa/ Renato Góes/ Domingos Montagner), casal de amantes que tem a vida afetada pela briga entre os antepassados.
Dividida em duas fases, a novela começa na década de 1960, na fictícia cidade de Grotas de São Francisco. A rivalidade entre as duas famílias se estende até a atualidade e se entrelaça à trajetória de luta pelo renascimento do Rio São Francisco.

