
Primeiro de tudo, é importante saber quem é aquele diretor e qual seu tipo de trabalho, de proposta. Se souber um pouco mais sobre ele, melhor. Não é necessário ler críticas antes, até porque pode acabar tendo algum spoiler e ficar irritado com isso. Mas é bom conseguir ambientar aquele filme, saber seu contexto e estar aberto a entendê-lo.
Veja algumas dicas:
1 – O filme é realista? Então tente notar se o que vê na tela faz sentido. As ações fazem sentido para aqueles personagens, de acordo com os traços de personalidade que foram passados no começo? Os diálogos fazem sentido? Cuidado: às vezes é os diálogos serem ‘sem pé nem cabeça’ é uma intenção do cineasta.
2 – O filme pode não ser pautado no realismo. Aí você precisa estar aberto a tentar entender o que o cineasta quis dizer com isso. Pode ser baseado em fantasias, ciência, teatro farsesco, etc. Por isso olhar o filme com a cabeça aberta ajuda muito.
3 – Fotografia: é comum as pessoas elogiarem a fotografia de um filme por não saberem fazer comentários além disso. Tudo bem elogiar a fotografia, mas fique atento: paisagens bonitas não definem uma bela fotografia, mas sim a forma como foi usada a luz, a exposição ou não de personagens/objetos, as cores e como o clima foi construído para aquela narrativa. Se fotografia fosse só paisagem, era só fazer filmes com belas montanhas ao fundo.
4 – Roteiro: há diversos manuais e regras básicas, mas até quando não são seguidas o roteiro pode ser muito bom. O principal é não explicar demais a trama, principalmente por meio das falas, algo comum nas novelas, o que subestima a inteligência do espectador e tira a graça de acompanhar a trama. Roteiro bom é aquele bem amarrado em que os acontecimentos não parecem forçados, você entende as atitudes dos personagens mesmo discordando moralmente delas e o tema proposto prende sua atenção. De qualquer forma há até quem filme sem roteiro. O importante é não subestimar o espectador nem fazer algo sem sentido apenas para “parecer genial”.
5 – Direção de arte: tudo em um filme tem que fazer sentido com a proposta da direção. A direção de arte ajuda a definir a paleta de cores com o departamento de fotografia e é responsável por figurino, maquiagem, locações, decoração, objetos, entre outras coisas. Um personagem precisa se vestir de acordo com suas características e morar em uma casa compatível com sua profissão, personalidade, por exemplo. Parece bobagem, mas quando a direção de arte erra ou é ausente, o filme simplesmente “não funciona”.
6 – Edição: geralmente o tempo que dura um plano é o tempo que o diretor quer que você pense sobre ele. Edição inclui lógica na narrativa, acabamento, mixagem de sons. A construção de uma edição paralela, por exemplo, pode aumentar ou diminuir a tensão da trama. O que é edição paralela? É quando você tem dois ou mais fatos acontecendo ao mesmo tempo e isso é mostrado desta forma para que você fique eletrizado na sua poltrona. Existe a velha história de que a edição salva ou arruina um filme. É verdade.
7 – Som: grande aliado na construção da narrativa, o som vai desde a qualidade da captação do som direto, passando pelos sons de foley (tudo que é acrescentado na pós-produção, como portas batendo, passos, tiros, etc), terminando com a escolha e composição das trilhas sonoras corretas para cada história. O que seria do clássico “Psicose”, de Alfred Hitchcock, sem aquela trilha original na cena do assassinato no chuveiro, composta por Bernard Herrmann? O compositor também teve trilhas usadas em “Taxi Driver”, de Martin Scorsese, e “Kill Bill Parte 1”, de Quentin Tarantino. Ele morreu em 1975.

