Filmes 30 de julho, 2026 Por Mariana Pacheco

O que é real e o que é ficção no filme sobre Elize Matsunaga da Netflix: roteirista se aprofundou no caso

“Elize: Sombras de Uma Mulher” mistura acontecimentos reais com elementos ficcionais para contar a história do caso

Lançado pela Netflix, “Elize: Sombras de Uma Mulher” não é um documentário sobre o assassinato de Marcos Matsunaga. A produção se trata de uma obra de ficção inspirada no caso real, utilizando fatos verdadeiros para construir um suspense psicológico centrado no declícnio do casamento entre Elize e Marcos.

Embora momentos importantes da investigação estejam presentes na trama, boa parte das conversas, conflitos e da construção emocional dos personagens são ficcionais.

O roteirista Raphael Montes explicou que o primeiro passo foi unir o máximo de informações documentadas e, apenas depois, criar as lacunas da história. “O primeiro passo importante é pesquisar e se municiar de tudo o que realmente a gente tem de informação real”, disse em entrevista à CNN.

O que é real e o que é ficção em “Elize: Sombras de uma Mulher”

Elize e Marcos se conheceram como no filme?

Assim como mostra o longa, Elize trabalhava como acompanhante quando conheceu Marcos por meio de um site, enquanto ele ainda era casado. Depois, os dois iniciaram um relacionamento, e ela deixou a profissão.

(Crédito: Netflix/Ana Clara Pazian)

A principal mudança está na cronologia. O filme concentra os acontecimentos em cerca de três anos, enquanto, na vida real, o relacionamento durou aproximadamente oito anos. 

Eles se conheceram em 2004, passaram a morar juntos em 2007, oficializaram a união em 2009 e Marcos foi morto em maio de 2012.

As traições e o detetive particular aconteceram?

Pouco antes do crime, Elize contratou um detetive particular para seguir o marido. O material obtido mostrava Marcos na companhia de outra mulher e foi entregue a ela antes da discussão que antecedeu o assassinato.

(Crédito: Netflix/Ana Clara Pazian)

Também é verdadeiro que Marcos era colecionador autorizado de armas. Durante a investigação, a polícia encontrou dezenas de armas e milhares de munições no apartamento. Segundo Elize, a pistola utilizada no crime havia sido um presente do marido.

O disparo, o desmembramento do corpo e o transporte dos restos mortais em três malas também fazem parte da reconstrução policial do caso.

O filme conta apenas a versão de Elize

Uma das maiores diferenças da produção está na forma como a história é narrada. O longa acompanha os acontecimentos quase sempre pela perspectiva de Elize, retratando Marcos como um homem manipulador, infiel e cada vez mais violento.

O medo de ser internada em uma clínica psiquiátrica e perder a guarda da filha é apresentado como o principal motivo para suas decisões nos momentos finais.

(Crédito: Reprodução/Netflix)

Esses elementos têm origem em declarações dadas por Elize após o crime e em registros de que ela chegou a relatar ameaças à Polícia Militar semanas antes do assassinato.

No entanto, o filme transforma esses relatos em cenas concretas, enquanto, no processo, havia versões conflitantes apresentadas pela defesa, pela acusação e por familiares.

Marcos internou a primeira esposa?

Esse é um dos pontos mais alterados pela adaptação. Na trama, Marcos teria participado da internação psiquiátrica da primeira esposa, reforçando o medo de Elize de ser a próxima vítima desse suposto plano.

(Crédito: Reprodução/Netflix)

No caso real, porém, não há evidência pública de que isso tenha acontecido. Segundo uma biografia sobre o caso, a ex-esposa teria sido internada após desenvolver um quadro depressivo depois do fim do casamento.

Marcos planejava internar Elize?

O filme mostra Marcos pesquisando formas de internar compulsoriamente a esposa, levando Elize a acreditar que perderia a guarda da filha.

O receio de perder a criança apareceu em declarações feitas por ela após o crime, inclusive em uma carta divulgada posteriormente. No entanto, familiares de Marcos e representantes da acusação contestaram essas afirmações.

(Crédito: Reprodução/Netflix)

Assim, o medo retratado pelo filme parte de relatos reais, mas não pode ser tratado como um fato comprovado da forma como aparece na tela.

A infância de Elize é baseada em fatos reais?

As cenas que mostram abusos na adolescência têm origem em um depoimento apresentado durante o julgamento. Em 2016, uma tia afirmou aos jurados que Elize teria sofrido abuso sexual cometido pelo padrasto quando tinha cerca de 14 anos.

(Crédito: Netflix/Ana Clara Pazian)

No entanto, o filme transforma esse relato em cenas dramatizadas, apresentando os acontecimentos como parte da biografia da personagem.

O mesmo acontece com a relação de Elize com a mãe. Os conflitos familiares foram desenvolvidos pelos roteiristas a partir de informações gerais sobre sua origem, e não de registros públicos de conversas ou acontecimentos específicos.

As brigas aconteceram daquela forma?

Não é possível saber se as brigas aconteceram como no filme. As discussões, humilhações, conversas dentro do apartamento, durante viagens ou em festas foram criadas para construir a narrativa. 

(Crédito: Reprodução/Netflix)

O diretor Felipe Vellas afirmou que a produção respeitou os acontecimentos comprovados, mas precisou ficcionalizar toda a intimidade do casal.

Isso significa que essas cenas não devem ser entendidas como uma reprodução exata da realidade, mas como uma interpretação dramática baseada em informações conhecidas.

O que é real em “Elize: Sombras de Uma Mulher”?

(Crédito: Reprodução/Netflix)

O núcleo da história é verdadeiro e o filme utiliza acontecimentos reais como base, mas constrói sua narrativa a partir de interpretações e hipóteses dramáticas.

A forma como o crime aconteceu, após Elize descobrir a traição por meio de um detetive particular, e em seguida, matar o marido, desmembrar o corpo e transportar os restos mortais em malas, segue a investigação do caso criminal.

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