Carta encontrada por Lowen muda a história e deixa em aberto o verdadeiro papel de Verity no acidente
O final de “Verity” deixa uma pergunta sem resposta definitiva: afinal, Verity (Anne Hathaway) era uma assassina ou uma vítima? Nos minutos finais, Lowen (Dakota Johnson) encontra uma carta escrita pela escritora que apresenta uma versão completamente diferente dos acontecimentos.
O problema é que a carta não comprova que Verity estava dizendo a verdade. Lowen decide escondê-la e seguir a vida ao lado de Jeremy, deixando o público sem uma confirmação sobre qual das duas versões é verdadeira.
O que acontece no final de “Verity”?
Durante o filme, Lowen lê escondida o manuscrito de Verity. No texto, a escritora parece confessar que odiava ser mãe, sentia ciúmes das filhas e teve responsabilidade na morte de Harper.
O manuscrito também termina com Verity pensando em provocar um acidente de carro — justamente o tipo de acidente que a deixou aparentemente incapacitada.

Desconfiada, Lowen instala uma câmera para descobrir se a escritora realmente não consegue se movimentar. A suspeita se confirma quando Verity percebe que está sendo observada.
Depois que Jeremy (Josh Hartnett) descobre o manuscrito, Lowen entrega o texto a ele. O personagem confronta Verity, que admite estar fingindo a própria condição.
Jeremy começa a estrangulá-la, mas Lowen interrompe o ataque. Para evitar que as marcas no pescoço denunciem o crime, ela sugere que ele use um travesseiro. Verity morre, e os dois apresentam às autoridades a versão de que ela sofreu um acidente.
O que dizia a carta de Verity?
Algum tempo depois, já grávida de Jeremy, Lowen descobre uma carta escondida por Verity no quarto de Crew. O documento afirma que o manuscrito não era uma confissão, mas um exercício de escrita.
Verity explica que costumava escrever sob o ponto de vista de personagens cruéis e utilizava acontecimentos de sua própria vida como inspiração.

Na carta, ela também conta que Jeremy teria encontrado o manuscrito antes de Lowen e acreditado que tudo era verdadeiro. Segundo essa versão, ele provocou o acidente de carro para matá-la.
Depois de sobreviver, Verity passou a fingir que estava incapacitada por medo de uma nova tentativa e planejava fugir com Crew. Lowen termina a leitura sem revelar o conteúdo a ninguém.
Quem está falando a verdade?
O filme não confirma qual versão é verdadeira. O comportamento de Verity dá força ao manuscrito: ela realmente fingia estar incapacitada, e o texto apresenta detalhes perturbadores sobre sua família.

Ao mesmo tempo, a reação de Jeremy também favorece a versão apresentada na carta, já que ele recorre à violência assim que acredita que a esposa matou as próprias filhas.
Há ainda a perspectiva de Lowen. É por meio dela que o público conhece boa parte da história, e ela está apaixonada por Jeremy desde que chega à casa da família.

Por isso, o desfecho mantém as duas interpretações possíveis: o manuscrito pode ser uma confissão disfarçada de ficção ou a carta pode ser a tentativa de Verity de provar sua inocência.
O que muda entre o filme e o livro?
A adaptação mantém a principal dúvida do romance de Colleen Hoover, mas altera alguns elementos. No livro, Verity e Jeremy têm três filhos: as gêmeas Harper e Chastin, que morrem, e Crew.

No filme, Chastin não existe, e Harper e Crew são apresentados como gêmeos. A produção também retira uma passagem particularmente cruel do manuscrito, na qual Verity tenta provocar um aborto durante a gravidez das gêmeas.
A mudança suaviza a imagem da personagem e deixa ainda mais espaço para a interpretação de que ela poderia estar dizendo a verdade na carta.

A própria Colleen Hoover afirmou que assistir ao filme a fez repensar a personagem. Ao acompanhar na tela as perspectivas de Lowen, Verity e Jeremy, a autora passou a enxergar a história de outra maneira.
No fim, “Verity” preserva justamente a dúvida que acompanha a trama: não há uma confirmação sobre quem está dizendo a verdade, e a decisão fica com o público.
“Verity” está em cartaz nos cinemas brasileiros.

