Confira curiosidades sobre os grandes vencedores de Cannes

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De 13 a 24 de maio, o Festival de Cannes exibiu e premiou os mais consagrados filmes ao redor do mundo. Tanto glamour não poderia deixar de vir acompanhado de polêmicas: proibição das ‘selfies’ no tapete vermelho, vaias a Gus Van Sant e sexo explícito em 3D nas telonas foram alguns dos destaques da 68ª edição.

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O fato é que uma das principais premiações do cinema evidenciou, mais uma vez, o talento de atores e produções que não necessariamente estão inseridos na indústria de Hollywood. Não é à toa que permanece firme como a consagração mais celebrada da crítica.

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A seguir, confira curiosidades sobre os 10 grandes vencedores do Festival de Cannes 2015 ( atenção: os trailers e teaser não têm legendas em português porque ainda não há previsão de lançamento para a maioria destes filmes no Brasil):
Palma de Ouro: “Dheepan” (filme de Jacques Audiard)

A vitória do filme de Jacques Audiard impressionou por tratar sobre a imigração ilegal, tema muito complicado de ser debatido na França (o ex-presidente do País, Nicolas Sarkozy, chegou a afirmar que a França “sofre as consequências de 50 anos de imigração” e criou leis rígidas para diminuir a imigração ilegal). No enredo, um ex-guerrilheiro dos Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (Jesuthasan Antonythasan), do Sri Lanka, chega com um passaporte falso acompanhado de uma jovem e uma menina que se passam por sua família.
Grande Prêmio: “Saul Fia” (filme de Laszlo Nemes)

O longa de estreia do diretor húngaro é ambientado no Holocausto, mas não de uma maneira usual: uma das principais premissas é deixar que o espectador tenha visão semelhante ao personagem, Saul Auslander, prisioneiro de um campo de concentração que acredita ter encontrado o filho numa pilha de mortos. O filme é baseado em um período de 36 horas de outubro de 1944 e escapa da necessidade de contextualizar a Segunda Guerra Mundial. “’Saul Fia’ permanece próximo ao protagonista com muita dinâmica e limita-se a focar apenas aquilo que o personagem olha”, descreve o jornal The New York Times.
Prêmio de direção: Hou Hsiao-Hsien (pelo filme “The Assassin”)

O diretor taiwanês já é consagrado pela crítica cinematográfica desde os anos 1980. Naquela década, sete dos 10 filmes que fez lhe renderam premiações importantes de melhor filme e melhor direção. Em 1988, ele foi considerado “um dos três diretores mais cruciais para o futuro do cinema”. “The Assasin” é o 7º filme de Hou Hsiao-Hsien a competir na Palma de Ouro do festival e também sua produção mais cara até o momento, chegando a custar US$ 14 milhões. A atriz Shu Qi estrela como a jovem garota que foi sequestrada para se tornar uma samurai assassina durante a dinastia Tang, na China.
Prêmio de roteiro: Michel Franco (pelo filme “Chronic”, de Michel Franco)

Único filme da América Latina a disputar a Palma de Ouro de Cannes, “Chronic” conta a história de um enfermeiro (Tim Roth) que cuida de pacientes em fase terminal. O mexicano Michel Franco teve a ideia de fazer o filme por volta de 2010, quando sua mãe ficou doente e foi cuidada por enfermeiros. Franco travou contato com o protagonista de “Chronic” em 2012, quando venceu uma das mostras paralelas de Cannes, Um Certo Olhar, pelo filme “Después de Lucía”. Roth era o presidente do júri da mostra e ficou impressionado com o filme de Franco. “Então, perguntei qual seria seu próximo passo”, contou Roth. “Ele disse que tinha essa ideia, e eu falei que atuaria como um enfermeiro e estava dentro. E foi isso. Não havia um roteiro”.
Prêmio de Melhor Atriz: Emmanuelle Bercot (“Mon Roi”, filme de Maïwenn)

Emmanuelle Bercot ganhou o prêmio pela atuação em “Mon Roi”, mas também se destacou em Cannes por ver “Standing Tall”, filme que dirigiu, ser selecionado para a abertura da premiação. Bercot também fez aparição em outras edições do festival: em 1997, seu curta “Les Vacances” ganhou Prêmio do Júri, além de estrear o filme “Clement” (2001) na mostra paralela Um Certo Olhar. Nesta premiação de Cannes, Emmanuelle dividiu o prêmio de Melhor Atriz com Rooney Mara.
Prêmio de Melhor Atriz: Rooney Mara (“Carol”, filme de Todd Haynes)

Todas as atenções foram dadas a Cate Blanchett, mas quem faturou a premiação no filme “Carol” foi a atriz Rooney Mara, que ficou mundialmente conhecida após interpretar Lisbeth Salander na versão de David Fincher de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (2011). Rooney faz par romântico com Cate no filme “Carol”, com direção de Todd Haynes.
Prêmio de Melhor Ator: Vincent Lindon (“A Lei do Mercado”, filme de Stéphane Brizé )

Sobrinho-neto do industrialista André Citroën (dono da marca de carros francesa que leva seu sobrenome), Vincent Lindon foi casado com a Princesa Caroline, de Mônaco, entre 1990 e 95, e atua nos cinemas desde 1983 (“Le Faucon”). Lindon faturou a premiação por atuar em “A Lei do Mercado” como um desempregado que vê nova oportunidade ao trabalhar como segurança de um supermercado.
Prêmio do Júri: “The Lobster” (filme de Yorgos Lanthimos)

Com Rachel Weisz, Colin Farrell e Léa Seydoux, o filme se passa em um futuro próximo em que pessoas solteiras são obrigadas a encontrar um parceiro em 45 dias, ou serão transformadas em animais e jogadas na floresta. O diretor grego já levou o prêmio Câmera de Ouro de Cannes em 2009, com “Dente Canino” (Kynodontas).
Câmera de Ouro: “La Tierra y La Sombra” (filme de César Augusto Acevedo)

O colombiano levou a mostra que premia diretores estreantes no festival, com sua obra que retrata relações de uma família em uma plantação de açúcar. O filme, que é uma coprodução entre Colômbia, Brasil, França e Holanda, ganhou outros dois prêmios: do canal 4, da França, que dá 4 mil euros ao diretor, e o Grand Rail D’Or, concedido por uma associação de cinéfilos.