Repórter – que também é army há 8 anos – relata experiência mais impessoal, mas ainda cheia de carinho com o grupo no Brasil
No último sábado (31), o grupo sul-coreano BTS, septeto visto como um dos maiores grupos de K-Pop da história, fechou mais uma passagem pelo Brasil. O retorno aconteceu sete anos após a última vinda do grupo ao País – e o último show foi marcado por inúmeros agrados aos fãs em meio a questões operacionais que vinham chateando o público antes mesmo da chegada deles.
Passagem do BTS pelo Brasil termina com surpresas em meio ao caos

Na última semana, o grupo formado por Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Min Yoongi (Suga), Jung Hoseok (J-Hope), Park Jimin, Kim Taehyung (V) e Jeon Jungkook fez sua tão aguardada passagem pelo Brasil após sete anos de espera dos fãs. Os três shows do BTS em São Paulo, no estádio do MorumBIS, fizeram parte da turnê ARIRANG, que também passou pela Ásia, Europa, pelos Estados Unidos e por outros países da América Latina.
Zappeando esteve no último show da passagem pelo Brasil e pode atestar que o grupo entrega carisma e vocais – mas em uma experiência bem diferente de 2019, quando lotou o Nubank Parque (antigo Allianz) por duas noites seguidas durante a Turnê Speak Yourself. Isso tudo começa pelo fato de que a vinda mais recente do BTS foi marcada por polêmicas desde antes da chegada dos artistas ao País.
Ao longo da turnê, o BTS apresentou uma estrutura de dar inveja a fãs de outros grupos. Na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, o palco central cheio de passarelas era cercado por uma série de telões em perímetro circular que, segundo quem compareceu, facilitava a visão de qualquer lugar do estádio. Na América Latina, porém, fãs receberam a experiência reduzida.

Isso porque, ao desembarcar na América Latina, o palco perdeu a maioria dos telões, oferecendo aos fãs uma visão boa (por ser central), mas ainda diferente do restante dos shows. Além disso, o Brasil teve um problema particular: sem explicações, o grupo não fez a “volta olímpica” pelo estádio durante a canção “Idol”, como vinha fazendo em todos os shows e que os aproximava ainda mais do público, gerando interações até com quem estava em setores longe do palco.
Outro ponto caótico foi a organização em torno do estádio. No aguardo da multidão que compareceria às três datas, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) montou um esquema especial que incluía bloqueios afastados do estádio. A partir dali, apenas pessoas com ingressos poderiam passar, chegando então às filas imensas que se acumularam na avenida em meio a poucas informações e profissionais que não sabiam dar orientações essenciais (como localização de portões e outras instalações).
Nesse contexto, os caracóis da fila se mantiveram organizados, mas apenas até a liberação para que as pessoas seguissem ao estádio. Aqui, a falta de organização e a distância entre as filas e o MorumBIS proporcionou correria e até cortes na fila por pessoas que haviam acabado de chegar ao local, mas passaram na frente dos demais sem qualquer possibilidade de fiscalização.
Por fim, os três concertos também foram marcados por relatos de superlotação, com fãs se aglomerando nas escadas dos setores de cadeira e arquibancada por falta de cadeiras.
Grupo garantiu atenção (aparentemente especial) aos brasileiros

A impressão que ficou em meio aos problemas – que geraram até mesmo protestos de fãs ao vivo com cartazes cobrando a produtora, Live Nation – foi a de que o BTS tentou compensar o caos sem necessariamente mencioná-lo. No show, o grupo entregou performances impecáveis das canções do novo álbum, além de trazer parte da coreografia de “Idol” (que não aconteceu em outros países) para equilibrar a ausência da “volta olímpica”.
Além disso, o grupo também conversou com o público em português – e alguns dos integrantes pareceram ter ido além ao aprender frases. V, por exemplo, mal parecia estar lendo seus discursos no teleprompter, como se tivesse decorado, e trouxe frases específicas como “não tô tankando” ou “vocês são real uma vibe”, mostrando que procurou se aprofundar um pouco mais na cultura jovem atual daqui.
Em outro ponto, o caçula do grupo, Jungkook, passou por uma sequência de tirar cada vez mais peças de roupas a cada show, realizando parte da última apresentação totalmente sem camisa. Em toda a turnê, isso só aconteceu no Brasil – e, para muitos presentes, foi o ponto alto do show.
Além disso, o grupo também tentou reverenciar a cultura brasileira usando acessórios indígenas, como pulseiras e até cocares (algo que rendeu discussões sobre apropriação cultural nas redes sociais).

Para nós, no entanto, a atenção especial ficou mais clara no momento das músicas surpresas. Ao longo de toda a turnê, dois espaços da setlist ficaram reservados a canções que pegavam até mesmo o grupo de surpresa, escolhidas por uma DJ. No Brasil, a demanda forte de fãs por duas músicas específicas foi ouvida, e o grupo entregou performances de “DDaeng” e “Cypher pt. 3”.
Quem vê essa informação sem conhecer o grupo pode não compreender, mas as escolhas foram significativas por muitos motivos. Além de ter ouvido a demanda do público, que fez cartazes pedindo essas canções, o grupo quase não apresentou essas duas músicas ao longo da carreira – e, enquanto outras canções se repetiram nas surpresas de outros países, “Cypher pt. 3” (que é de 2014) só aconteceu em solo brasileiro.
Apesar disso tudo, é preciso dizer que a experiência de ir a um show do BTS mudou bastante desde 2019. Na época, eles pareciam muito mais emocionados com o momento, deram tudo de si em performances marcadas por muita coreografia e inundaram as redes sociais com discursos alegres após as apresentações. Atualmente, os shows são mais técnicos e impessoais, focados nos vocais, na performance do balé e em poucas coreografias com participação do grupo.
Em meio ao talento inegável e ao carinho especial pelo público brasileiro diante dos problemas enfrentados por ele, o BTS entrega um verdadeiro espetáculo, mas com algumas doses a menos de magia do que no passado.

