Em “Viver a Vida”, da Rede Globo, Paloma Bernardi interpreta Mia, uma menina meiga e que está sempre disposta a ajudar. Caçula entre as irmãs Luciana ( Alinne Moraes) e Isabel ( Adriana Birolli), ela é a filha mais dedicada de Tereza ( Lilia Cabral), sua mãe adotiva.
A atriz confessa que a trama de Manoel Carlos a fez pensar sobre adoção com mais carinho. “Lógico que o instinto humano é procriar e, como a maioria, quero ter o prazer de levar um ser no meu ventre. Deve ser incrível. Mas mesmo com esse sonho, hoje, acho que posso fazer as duas coisas: gerar e adotar”, pondera a paulistana, de 24 anos.
Para compor Mia, Paloma consultou até a cunhada advogada sobre leis de adoção e também navegou na internet em busca de informação. No entanto, até então, ainda não tinha achado a essência que gostaria de dar à sua personagem. Tudo mudou quando, durante uma conversa despretensiosa com uma amiga, um fato inesperado aconteceu: “Eu estava contando sobre a minha personagem na novela e ela começou a chorar, dizendo que era adotada. Eu não sabia, nunca imaginei, pois ela é tão parecida com a mãe, tem uma relação ótima com a família e vive feliz essa realidade. Assim, encontrei a Mia”.
Na opinião da atriz, a pessoa deve saber a verdade sobre o seu passado para poder viver em paz. “Acho que tudo tem que estar às claras, tudo deve ser conversado. Nada deve ser escondido, para a pessoa não viver com traumas e dúvidas sobre quem ela é”, acredita a atriz, que sabe o que faria se fosse adotada na vida real. “Teria a curiosidade de conhecer os meus pais verdadeiros”.
Leia a seguir entrevista na íntegra.
TE CONTEI: A novela “Viver a Vida” é o seu primeiro trabalho na Rede Globo. Sempre sonhou em atuar no horário nobre? Já tinha tentado antes algum papel?
PALOMA BERNARDI: Sim, é o meu primeiro trabalho na Rede Globo e, com certeza, é um sonho que está se concretizando. Sempre trabalhei com publicidade, teatro e novelas em outras emissoras, mas hoje tenho que agradecer essa grande vitória. Já fiz alguns testes para outras produções e Oficina de Atores da Globo e, por motivos variados, não rolou. Nunca desisti e costumo dizer que tudo tem o seu tempo e sua hora, e agora chegou a minha vez!
TC: Na trama, sua personagem é a mais doce entre as três irmãs, time completado por Luciana (Alinne Moraes) e Isabel (Adriana Birolli). A Mia tem uma importante missão, que é a de representar um tema delicado: a adoção. Você acha que, pelo fato de ser adotada, ela tem esse jeito meigo e é a queridinha da família?
PB: Com certeza. O fato de a Mia ser adotada faz com que tenha essa meiguice. Se ela não fosse, talvez não tivesse a vida que tem. Essa é a forma que ela encontrou para se demonstrar grata por tudo. É sendo carinhosa e retribuindo o amor que a família deposita nela. Mia é amiga, atenta, humana e alegre. Se alguém sofre, ela coloca no colo. Se alguém brilha, ela aplaude. Assim, ela “vive a vida” feliz.
TC: Você fez algum tipo de laboratório? Conversou com pessoas que foram adotadas?
PB: Bom, quando soube que a minha personagem trataria do tema adoção, fiquei muito feliz. Na hora, procurei fazer pesquisas na internet sobre o assunto e conversei com a minha cunhada, que é advogada, sobre as novas leis da adoção. Também falei com pessoas que eu sabia que eram adotadas. Pude observar como eram suas vidas, como eram suas relações sociais e familiares. Descobri que cada caso é um caso, e tudo depende muito do passado, da criação e do convívio com a sociedade para você lidar bem ou não com essa realidade. Durante essa minha pesquisa, aconteceu um fato interessante. Eu estava contando sobre a minha personagem na novela para uma amiga e ela começou a chorar, dizendo que era adotada. Eu não sabia, nunca imaginei, pois ela é tão parecida com a mãe, tem uma relação ótima com a família e vive feliz essa realidade. Assim, encontrei a Mia.
TC: Se você fosse adotada, acha que agiria como a Mia ou ia querer saber quem eram os seus pais biológicos?
PB: Esse é um ponto muito delicado. Até o momento, eu não sei o passado da Mia e acho que isso interfere muito. Acho que tudo tem que estar às claras, tudo deve ser conversado. Nada deve ser escondido, para a pessoa não viver com traumas e dúvidas sobre quem ela é. Se eu fosse adotada provavelmente agiria como a Mia, no sentindo de ser grata, mas teria a curiosidade de conhecer os meus pais verdadeiros.
TC: O que tem da Mia em você?
PB: Muita coisa! Sou uma pessoa amiga, simples e preocupada com o próximo. A Mia também é assim. Juntas, com nosso jeitinho de ser, vivemos a nossa vida intensamente e feliz.
TC: Você acha que a trama vai incentivá-la a querer adotar uma criança no futuro?
PB: Sempre admirei quem praticou este ato de amor incondicional. Acho que é a prova máxima da prática do amor ao próximo. Com certeza, a trama já me faz pensar com carinho no caso. Lógico que o instinto humano é procriar e, como a maioria, quero ter o prazer de levar um ser no meu ventre. Deve ser incrível. Mas mesmo com esse sonho, hoje, acho que posso fazer as duas coisas: gerar e adotar. Nós não podemos esquecer também aqueles que já não são tão crianças e que necessitam de muito mais atenção. Eles já passaram por traumas maiores, por não serem tão procurados como os bebês. Enfim, se essa for uma realidade em minha vida, só peço a Deus condições emocionais e financeiras, pois amor terei de sobra para dar.
TC: Como é contracenar com José Mayer e Lilia Cabral? Vocês trocam experiências?
PB: Nossa, é um presente de Deus! Só de estar ao lado deles contracenando é uma escola diária. Observo e presto atenção em cada detalhe, cada respiração, cada emoção e depois gosto de ver o desenvolvimento todo na televisão. É incrível esse processo! Sempre admirei a Lilia e o Zé como atores e, hoje, tenho o privilégio de admirá-los como pessoas. Pessoas queridas, generosas e acolhedoras. Espero crescer e fazer muito bem a minha parte ao lado deles.
TC: Você trabalhava como modelo. O que a fez desistir das passarelas e querer ser atriz?
PB: Desde os meus quatro anos de idade, trabalho com publicidade, teatro, desfiles e fotos para editoriais. Vivo nesse mundo artístico. Me convenci que o que eu queria para a minha vida era atuar. Eu me formei em Artes Cênicas, Rádio e TV. Resolvi seguir carreira. Modelo, modelo de passarela mesmo eu nunca fui, pois não tenho altura e peso para isso. Mas sempre gostei de fotografar.
TC: Você é paulistana. Quando veio morar no Rio de Janeiro? Mudou-se por causa do trabalho?
PB: Sim, sou paulistana, moro um pouco aqui no Rio e um pouco em São Paulo. Atualmente, vivo na ponte aérea, pois divido meu tempo entre as gravações da novela e a administração do meu Espaço Cultural Amarte, em São Paulo, onde tem aulas de dança, teatro, música e artes plásticas. Sempre sonhei em morar no Rio, justamente por causa do trabalho, mas, depois que conheci essa cidade, descobri que de fato ela é maravilhosa. Muito fácil de se adaptar.
TC: Está namorando? Acha que a fama pode atrapalhar a relação? Está preparada para o assédio?
PB: Não estou namorando e acho que a fama pode, sim, atrapalhar a relação. Tudo depende do companheiro. É complicado, mas preciso ter ao meu lado alguém que entenda a minha profissão e a vida que levo. Por isso, tenho que ter um relacionamento com muito amor, confiança e privacidade. Em relação ao assédio, ainda não senti muito. Procuro atender a todos com muita atenção e carinho. Peço a Deus que me oriente em cada situação que venha a surgir.
TC: Como faz para manter a forma?
PB: Bom, não sou muito fã de academia, apesar de achar importante. Prefiro procurar outras maneiras de manter a forma, como por exemplo, dançar. Adoro dançar! Atualmente, por conta das gravações, estou sem tempo para me exercitar. Sempre que vou para São Paulo, procuro ir ao meu Espaço Cultural Amarte, onde faço uma aula de balé, jazz, dança de salão, entre outras. Aqui no Rio, gosto muito de fazer uma boa caminhada olhando para o mar.
TC: Se aparecesse algum convite, você aceitaria posar nua? Qual é a parte do seu corpo de que você mais gosta?
PB: Não aceitaria. Não me sentiria bem ao ver a minha família, amigos e conhecidos vendo a minha intimidade. Meu foco profissional é estar nos palcos, telinhas e telonas. É claro que eu sei que estes veículos, às vezes, exigem uma certa nudez. E, nesses casos, por estar dentro de um contexto, estudarei delicadamente cada situação.
Por Carolina Morgado, especial para o Te Contei
