Músicos que tiveram coragem de sair do armário no auge do sucesso

Em tempos em que existem, ainda, discussões sobre preconceitos raciais (ao ponto de um deputado federal se dizer vítima de heterofobia), resolvemos lembrar músicos corajosos que resolveram sair do armário quando já estavam no auge do sucesso, aproveitando o espaço adquirido como figuras públicas para lutar contra o preconceito. Rob Halford, do Judas Priest, por exemplo, admitiu que tinha medo da reação dos fãs, já que seu gênero, o heavy metal, é bastante conservador. Mas ele foi amplamente apoiado.
Daniela Mercury

Daniela Mercury assumiu ser homossexual pela rede social Instagram em abril de 2013. Após a vocalista Joelma, do Calypso, afirmar que, “lutaria até a morte” para “converter” seu filho caso fosse gay. A cantora baiana que se destacou no começo dos anos 90 com axé music deixou claro que estava casada com a jornalista Malu Verçosa. Daniela tem dois filhos biológicos e três adotados.

Renato Russo

Renato Russo assumiu ser homossexual em 1988, quando a Legião Urbana já era uma das maiores bandas de rock do Brasil. A mãe, Carminha, não gostou da ideia, mas o músico alegou que era para lutar contra o preconceito. Soube que estava com Aids em 1990, e morreu em decorrência da doença, em outubro de 1996. A mãe só soube que o filho era HIV positivo pela TV, após sua morte.
Bob Mould (ex-Sugar e Hüsker Dü)

Bob Mould começou sua carreira com a banda punk Hüsker Dü nos anos 80 em Minnesota. Lutou contra o preconceito, mas só deixou claro que é homossexual nos anos 90, época em que criou a banda Sugar, que durou de 92 a 95 (auge de bandas como Nirvana, que o Hüsker Dü influenciou). Há muito tempo em carreira solo, Mould diz que ser gay no show business hoje é diferente. “A diferença, hoje em dia, é que não existe mais aquele estereótipo do que deve ser o músico gay. Posso muito bem ser aquele cara que faz música e que, por acaso, é gay.”
Rob Halford (Judas Priest)

Rob Halford é líder de um dos maiores ícones do metal de todos os tempos, a banda Judas Priest, e resolveu se assumir em 1988, alegando que boa parte dos fãs já sabia que ele era gay, em uma entrevista para a MTV. De qualquer forma, admite que teve medo de ser rejeitado. Mas, muito pelo contrário, foi apoiado. De qualquer forma, a revelação foi feita em um momento em que o vocalista estava fora da banda.

Ricky Martin

Ricky Martin assumiu ser homossexual por meio de um texto em seu site em março de 2010, aos 38 anos, já no auge do sucesso. O cantor já era pai dos gêmeos Valentino e Matteo, que nasceram pouco mais de um ano antes do anúncio por meio de uma barriga de aluguel. “Eu tenho orgulho de dizer que sou homossexual e sou abençoado por ser quem eu sou”, afirmou o cantor na época. Ele começou sua carreira ainda adolescente, como integrante da boyband Menudos, que fez muito sucesso no Brasil nos anos 80.
Elton John

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Elton John assumiu ser gay em 1976, em uma entrevista, quando já tinha sete anos de carreira e já fazia sucesso. “Não tem nada demais ir para a cama com uma pessoa do mesmo sexo”, foi a frase que o cantor usou para tornar pública sua orientação sexual. Ele é casado com David Furnish desde 2014, mas os dois vivem juntos desde 93 e têm dois filhos nascidos de uma barriga de aluguel: Zachary e Elijah.
Michael Stipe (REM)

Michael Stipe, líder e ex-vocalista do extinto REM, admitiu, nas entrelinhas, que é gay em uma entrevista de 2001, já após quase três décadas de carreira com a banda. Mas disse que era um artista gay, não queria ser identificado como gay, heterossexual ou bissexual. Mas em março de 2008, para a revista Spin, deixou 100% claro que é homossexual e que foi complicado viver nos anos 80 por conta disso. Afirmou que não percebia que declarar abertamente sua orientação poderia ajudar as outras pessoas. Mas que, naquele momento, sabia que deveria se manifestar. “Certamente é necessário.”
Ana Carolina

No auge, após vender 800 mil discos em 2005 (já na era do MP3 portanto, a cantora Ana Carolina deu uma entrevista de capa à Veja cuja a manchete foi: “Sou bi e daí?”. A revista adotou tom elogioso, dizendo que a cantora fazia parte de uma geração que não tinha problemas em relação à sua sexualidade, mas também não fazia disso uma bandeira política. Em 2013 foi criticada por um blog da Folha de São Paulo de temática gay por não levantar a bandeira do movimento gay. Rebateu com um “levanto minha bandeira vivendo com normalidade”.
George Michael    

O cantor de “Faith” assumiu ser homossexual em 1998 após ser preso por atentado ao pudor em um banheiro público em Los Angeles. Depois, em um documentário lançado em 2005, “George Michael: A Different Story”, o cantor falou abertamente sobre sua orientação sexual, mas deixou claro nas entrevistas de lançamento do filme no Festival de Berlim. “O tempo de me esconder já chegou ao fim há algum tempo, mas acho que isto é o máximo que vocês vão ver de mim.”
Fred Schneider (B-52)

O vocalista Fred Schneider, da banda B-52, assumiu ser homossexual ainda nos anos 80, quando a banda fazia sucesso no começo de carreira. O músico lembra quando foi contar para sua mãe que era gay. Entrou na casa e ela estava passando aspirador. “Oh, eu sei, Fred”, disse ela naturalmente, sem mudar nenhum movimento na faxina. O músico que sua reação foi: “Ah, ok. Então acho que vou voltar lá pra fora e fumar um baseado.” Schneider nunca se casou e não tem filhos. Arriscou alguns discos solo e também fez uma incursão no cinema em filmes como Flinstones, de 1994.