Hilary Duff não quer ser Miley; confira os lançamentos da semana

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Hilary Duff: “Breathe In. Breathe Out”

Gravadora: RCA/Sony

O sucesso de Hilary Duff como atriz chegou ao auge quando estrelou a série da Disney “Lizzie McGuire”, entre 2001 e 2004. Algum tempo depois, ela lançou discos, mas a fonte secou após “Dignity” (2007), seu último de inéditas.

Após aparição no programa de TV de Ellen DeGeneres, ela revelou o single “Sparks”, escrita em parceria com Tove Lo. A batida em midtempo pede um estouro vocal, mas o melhor que a cantora – que já não é mais mirim – oferece é um assobio que, de tão fraco, é irreproduzível. Faltou força no refrão.

Neste caso, “One in a Million” tem o appeal pop que muitos procurariam em Hilary. Sem transgredir em nada, ela dá motivos de sobra para permanecer em programações de rádio mirim (como a Disney). Longe de querer seguir o caminho polêmico de Miley Cyrus, Hilary sempre preferiu manter-se mais reservada, “afastada dos olhos do público”, como disse certa vez.

E, já que se fala em manter bom comportamento, como não ter Ed Sheeran como parceiro? Ele deu à ela a composição “Tattoo”, canção de levada acústica que vai agradar corações partidos adolescentes.

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Esperar que a musicalidade de uma cantora como Hilary Duff ganhasse outros contornos é uma utopia, mas não deixa de ser decepcionante depararmos com um comportamento padrão, estigmatizado. “Breathe In. Breathe Out”, como o título sugere, é apenas a cantora respirando, mostrando que está viva.

Dônica: “Continuidade dos Parques”

Gravadora: Sony

A banda carioca de jovens entre 17 e 19 anos tem costas quentes. Um dos integrantes tem o sobrenome Veloso ( Tom Veloso, caçula de Caetano, é o principal compositor). A primeira música de lançamento teve aval de Baby do Brasil e Fernanda Torres e, logo no primeiro álbum, ninguém menos que Milton Nascimento participa (em “Pintor”).

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Essa soma de fatores deu ao Dônica uma projeção invejável, mas isso não quer dizer que a banda não tenha seus méritos. O disco “Continuidade dos Parques” tem mais de Doces Bárbaros e Novos Baianos que as influências que menciona na página oficial (como Pink Floyd, Emerson Lake & Palmer e Os Mutantes).

“Casa 180” é tomada por bonitas linhas de piano, cortesia de José Ibarra, também vocalista. A herança de “Bicho Burro” é dividida entre o Clube da Esquina e os arranjos de Rogério Duprat.

Além da energia da idade, a Dônica mostra uma nova abordagem às influências neotropicalistas, que tanto perduram a cada lançamento independente no Brasil.

Giorgio Moroder: “Déjà Vu”

Gravadora: AB/RCA/Sony

Primeiro disco do produtor italiano em mais de 30 anos, “Déjà Vu” dá luz a uma lenda da música eletrônica, que ganhou projeção mundial após participar de faixa que carrega seu nome em “Random Access Memories” (2013), do Daft Punk.

A história de Giorgio Moroder está ligada ao desenvolvimento da disco-music e à consolidação da eletrônica nas pistas ao redor do mundo. “Estou discotecando agora”, disse, na ocasião. Pelo time de colaboradores no disco, parece que ele quer competir com gigantes, como David Ghetta, mas decidiu dar preferência às mulheres: Sia (faixa-título), Charli XCX (“Diamonds”), Kylie Minogue (“Right Here, Right Now”) e Britney Spears (“Tom’s Diner”) evidenciam o ‘mix’ de diferentes gerações reagrupadas.

Basicamente, a musicalidade de “Déjà Vu” tem mais de moderno do que o retrô que se esperaria de Moroder. “Don’t Let Go”, com Mikky Ekko, tem potencial suficiente para ecoar em alguma edição do Tomorrowland. E os efeitos robóticos que permeiam “74 is the New 24” atualizam e reforçam o que o Daft Punk propagou como ‘nova música’ dois anos atrás. Agora, se é nostalgia que procura, “La Disco” encerra com a bonança de quem já enveredou esse caminho muitas e muitas vezes.

Thiago Brava: “Sempre Diferente”

Gravadora: Som Livre

O goiano Thiago Brava aposta no pastiche que une arrocha, sertanejo e músicas sobre bebidas alcoólicas: com participação de Mr. Catra nos backing vocals, diz que champagne “não é pra beber”, em “Banho de Chandon”. “Acordo de ressaca todo dia e pra curar bebo de novo” é o que diz em “Namora Bobo”, que abre o disco.

Ele mostra, ao lado de MC Japa, uma versão mais leve de “Perereca Suicida” e também tem suporte dos sertanejos Henrique & Juliano, em “Maior que o Oceano”.

Alguma coisa que difere de quem busca o sucesso? Não. Por isso, o palco de Luciano Huck o espera.

James Taylor: “Before This World”

Gravadora: Concord

Aos 67, James Taylor não gravava disco de inéditas há 13 anos (o último é “October Road”, de 2002). “Before This World” reúne pensatas acumuladas nesse período: reflete sobre a pausa, dizendo “de alguma forma, não morri”, em “Today Today Today”. Ele lembra do Canadá com nostalgia em “SnowTime” e alia seu ponto de vista sobre a guerra com a de um soldado norte-americano, em “Far Afghanistan”.

A levada é folk, simplista, deixando o ouvinte atento ao que Taylor tem a dizer. Sua poesia é direta: fácil de se apegar, como as melodias que criou para acompanhá-las.