A ideia inicial era que sua participação na novela “Viver a Vida”, da Rede Globo, ficasse restrita a dois capítulos. Mas o desempenho de Babu Santana foi tão bom que seu personagem, o bandido Coisa Ruim, caiu no gosto popular e até ganhou uma trajetória de vida. Em conversa exclusiva com o TE CONTEI, o ator fala sobre seu primeiro papel de destaque em um folhetim de horário nobre.
“Para mim, é uma felicidade muito grande! Muito do personagem foi o Manoel Carlos (autor) quem conduziu, e muito bem, com textos muito bons”, diz Babu, que assim como Marcello Melo (o Benê, seu compadre na trama), integra o grupo teatral Nós do Morro, criado no Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro. “Ele tem muito a ver comigo: cara de mau, mas com um coração grande”, acrescenta o intérprete do padrinho de José, filho de Benê com Sandrinha ( Aparecida Petrowky).
Embora já esteja acostumado a dar vida a bandidos, traficantes e homens mal-encarados na ficção, Babu diz que para compor o Coisa Ruim usou anos de seu costume de sempre observar pessoas, por onde quer que vá. “Sempre freqüentei baile funk e percebi que a visão que as pessoas têm de um bandido é estereotipada”, diz ele, que dá o exemplo de “amigos que pareciam normais”, mas que enveredaram pela criminalidade.
“Por mais que sejam bandidos, os caras sentem dor e levam uma vida, relativamente, comum. Com o Coisa Ruim foi assim. Ele era mau, mas criou, ao longo da trama, um conceito de família e foi amaciando”, afirma ele, acrescentando ainda que, na vida real, “bandidos podem ser apenas pessoas perdidas, que não encontraram seu espaço ou oportunidades”. “Houve, por parte do autor, um resgate à humanidade dele”, completa.
Sobre a morte do Benê, Babu diz que serve de exemplo perfeito para as duas vertentes que um bandido tem: a recuperação ou a morte precoce. “Para mim, os dois caminhos são bons, porque conscientizam as pessoas de que o quanto antes saírem do crime, melhor”, diz ele, que já perdeu amigos reais na mesma situação. “Acho que o Maneco quis mostrar que há pessoas que precisam levar um grande choque para se recuperarem e outras com quem se pode conseguir isso com diálogo”, afirma.
Babu concorda que, ainda que a visão que a teledramaturgia tem de uma favela ou uma comunidade seja muito romantizada, só o fato de o país todo poder ver essa realidade na telinha já é um grande avanço. “Isso aconteceu em ‘Duas Caras’ também. É importante mostrar o Brasil como ele é”, arremata.
Por Roberta Santiago, do Te Contei
