
Mencionar bandas de rock nacionais é se sujeitar a um ciclo que muitos consideram intragável. Porque parece que somente as piores tiveram a enormidade de projeção nos programas de rádio e TV, enquanto grupos criativos, que esbanjavam qualidade, ficavam em segundo ou terceiro plano.
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Essa dinâmica, infelizmente, tornou-se insustentável para muitos artistas, que desistiram no meio do caminho e romperam com bandas que realmente poderiam dar um passo artístico significativo na música nacional como um todo.
Veja, a seguir, 10 bandas brasileiras de rock que você deveria conhecer: #1 A Bolha
Surgida na época em que as primeiras bandas de rock criavam nomes em inglês para se associar à febre de bandas como Beatles e Rolling Stones, A Bolha começou como The Bubble e serviu de apoio para artistas hoje consagrados, como Erasmo Carlos e Gal Costa. Entre 1965 e 70, a banda basicamente executava covers, enquanto aprimorava tecnicamente. A partir do momento que ‘aportuguesou’ o nome, a banda se tornaria referência, principalmente com a formação que incluía Arnaldo Brandão (voz e baixo) e Renato Ladeira (voz, guitarra e órgão) – vide o disco “Um Passo à Frente” (1973). Com o tempo, o guitarrista Pedro Lima se manteria e reformularia a sonoridade da banda, como provou o álbum “É Proibido Fumar” (1977). #2 Equipe Mercado
Experimental é pouco para definir o som da Equipe Mercado, que, infelizmente, não registrou maluquices como “Mary K no Esgoto das Maravilhas” e “Marina Belair” em disco. Entre 1969 e 71, a banda carioca formada por Diana, Stul, Leugruber, Ricardo Ginsburg, Carlos Graça e Ronaldo Periassu causou nas primeiras edições de festivais televisivos. Um de seus singles mais conhecidos é o idôneo “Periscópios de Mil Novecentos e Quarenta e Quinze”. #3 Módulo 1000
Hoje cultuada como uma das bandas mais importantes do rock progressivo, o Módulo 1000 aqueceu os clubes cariocas entre 1969 e 1973, assimilando influências do hard-rock e da música psicodélica. O disco “Não Fale com Paredes” (1972) até hoje é peça de culto em sebos, com clássicos como “Turpe Est Sine Crine Caput” e “Metrô Mental”. #4 Som Imaginário
A banda formada por Wagner Tiso, Robertinho Silva e Zé Rodrix foi criada em 1970 para acompanhar Milton Nascimento em uma turnê, mas teve ótima projeção ao lançar discos solos muito influentes até hoje – seja o homônimo de 1970, que trazia a essência do prog-rock, ou o instrumental “A Matança do Porco” (1973), que, apesar de culminar em desavenças que acabariam com o grupo, entregou temas edificantes, como “Armina” e “Bolero”. #5 Bacamarte
O disco de estreia da banda Bacamarte, “Depois do Fim” (1983), foi considerado pela comunidade Prog Archives um dos melhores discos de prog-rock de todos os tempos. Liderada por Jane Duboc (voz) e Mario Neto (violão e guitarra), a banda gravou este clássico em 1977, mas teve dificuldades para lançá-lo – afinal, não havia a facilidade de divulgação independente como nos dias de hoje. Do tema instrumental extraterrestre de “UFO” aos belos arranjos de “Mirante das Estrelas”, eis um disco para perceber a dimensão técnica que o rock brasileiro conseguiu atingir. #6 Patife Band
Irmão do compositor Arrigo Barnabé, Paulo foi ainda mais agressivo em sua busca musical. Ainda que a Vanguarda Paulistana estivesse em vento e popa nos anos 1980, a Patife Band mostrava maior conexão com o rock nacional, que estava invadindo as arestas do circuito pop. “ Corredor Polonês” (1987) é o clássico impagável da banda. Pena ser o único disco deles… #7 Fellini
Cultuada na cena alternativa, a banda de Cadão Volpato e Jair Marcos também ajudou a aquecer o interesse pelo pós-punk em São Paulo. Contemporâneos de Violeta de Outono e Patife Band, a Fellini reprocessou influências de Adoniran Barbosa a The Smiths, gravando seis discos, com destaque para o bem produzido “Amor Louco” (1989) e o melancólico “Fellini Só Vive 2 Vezes” (1986). #8 Pin-Ups
Formada em 1988 em Santo André (SP), Pin-Ups foi uma das mais celebradas bandas do rock alternativo nacional. Bebendo da mesma fonte que The Jesus & Mary Chain e Sonic Youth, eles superaram o estigma de ‘fazer som de gringo’ e lançaram 6 discos no total, com destaque para o antológico “Time Will Burn” (1990) e o afiado “Scrabby” (1993), que teve produção de João Gordo (Ratos de Porão). #9 Violeta de Outono
O pós-punk sempre foi a onda do Violeta de Outono, com guitarras esmerilhadas e composições que se aproximavam da psicodelia. O disco homônimo, de 1987, ainda é a grande referência do trio paulista formada por Fabio Golfetti (voz e guitarra), Cláudio Souza (bateria) e Angelo Pastorello (baixo). Beatles também entra no caldo de influências – vide a ótima versão de “Tomorrow Never Knows”. Ainda ativa, a banda possui 8 discos – o último é “Espectro”, de 2012. #10 Second Come
A banda carioca surgiu em 1989, “das cinzas” de outra banda, Eterno Grito. Assim como a antecessora, a Second Come foi efêmera, mas seu álbum, “You” (1993), mantém-se como uma pérola do lo-fi nacional. Guitarras flamejantes, composições em inglês e melodias tortas fortaleceram o disco de 1993, numa época em que as rádios viam com muito preconceito bandas brasileiras que faziam som desse tipo. Fábio Leopoldino (guitarras), Francisco Kraus (baixo), Dalton Vianna (bateria) e Fernando Kamache (guitarra) eram tão entrosados, que gravaram “You” em apenas 72 horas.
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