Vera Manhães, mãe de Camila Pitanga, tem a filha como sua principal cuidadora há décadas – e a atriz a descreve como a “filha mais velha”
Nas redes sociais, a atriz Camila Pitanga ocasionalmente fala do pai, Antonio Pitanga, ou posa com ele. A mãe da atriz, Vera, porém, aparece pouco – e tudo se deve ao fato de ela lidar com problemas sérios de saúde mental que, inclusive, a fizeram largar a carreira de atriz no passado. Conheça a história:
Quem é a mãe de Camila Pitanga? Carreira de atriz e mais

Vera Manhães, mãe da atriz Camila Pitanga, já foi atriz e muitos sequer desconfiam. Isso porque ela atuou nos anos 70, quando tinha entre 20 e 30 anos de idade – mas teve de deixar o ofício de lado após um diagnóstico difícil.
Nascida em 1951, a mãe de Camila Pitanga começou a carreira artística como dançarina e modelo. Ela chegou a desfilar para grifes grandes e ser coroada miss em concursos de beleza. Já como atriz, ela estreou em 1970 no filme “A Menininha”, e a estreia foi seguida por mais diversos papéis no cinema.
Vera esteve, por exemplo, em “O Barão Otelo no Barato dos Bilhões” (1971), “Quando o Carnaval Chegar” (1972) e “A Nudez de Alexandra” (1976). Além disso, ela também brilhou na televisão na mesma década, atuando em produções, inclusive, da Rede Globo, como “O Cafona” (1971), “Bandeira 2” (1971) e “O Bofe” (1972).

Nos anos que se seguiram, ela chegou a ser contratada pela TV Tupi. Já na década de 80, ela voltou para a Globo, onde finalizou a carreira com um papel em “Roque Santeiro” (1985). O que aconteceu depois, porém, foi um diagnóstico difícil que a obrigou a se afastar do ramo. Vera tem transtorno de personalidade paranoide, algo caracterizado pela desconfiança extrema e injustificada em relação aos outros.
Camila Pitanga é a principal cuidadora da mãe
Isso também teve impacto na vida pessoal da atriz. Após casar-se com o também ator Antonio Pitanga em 1975, ela teve dois filhos, Camila e Rocco. Ela e Antonio se separaram em 1986, pouco tempo antes do diagnóstico, e o ex-marido da atriz ficou com a guarda das crianças. Com o passar dos anos, no entanto, Vera se tornou a “filha mais velha” da própria filha, como descrito pela própria Camila.

Em entrevistas, Camila Pitanga já falou sobre a condição da mãe algumas vezes. Ela é a principal cuidadora de Vera, e a vê como alguém tão dependente dela quanto a própria filha, Antonia. Ainda que fale sobre a mãe com carinho, Camila também já expôs os desafios ligados ao diagnóstico dela.
“Sendo bem honesta, sempre foi muito difícil, pesado. Uma responsabilidade e missão que me impingi e da qual não me arrependo.”, disse ela em 2024 ao videocast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal “O Globo”.
Apesar das dificuldades, no entanto, Camila Pitanga também já expôs como, ao longo dos anos, essa relação começou a ganhar novas cores. “Estou tendo um encontro profundo com a minha mãe. A gente passou por uma nova etapa de vida, de confiança, de amizade. Ela velha, eu velha… Estamos numa qualidade afetiva que está me nutrindo tanto…”, comentou ela na mesma ocasião.

Atualmente, a relação das duas é pautada em muito afeto apesar da doença. “Estou vivendo o auge do afeto, da troca e do contato. Não que não tivesse antes, mas minha mãe está se permitindo receber mais, e eu também. Os atravessamentos do amor estão mais fluidos, livres, desbloqueados do medo, da desconfiança”, declarou ela em entrevista à revista “Quem”.
Transtorno de personalidade paranoide: o que é
O TPP, sigla para transtorno de personalidade paranoide, é uma condição de saúde mental. Ela se caracteriza por um padrão comportamental pautado na desconfiança em relação a outras pessoas sem que haja justificativa plausível para as suspeitas. Pessoas com TPP vivem constantemente sob a ideia de que as demais pessoas estão tentando prejudicá-las de alguma forma.

Essa desconfiança leva a uma série de situações difíceis no dia a dia, que podem inclusive prejudicar as relações interpessoais. É possível que pacientes com TPP, por exemplo:
- Relutem em confiar nos outros;
- Tenham grande receito de compartilhar informações;
- Duvidem da lealdade até de pessoas próximas, como amigos e familiares;
- Guardem rancores persistentes;
- Interpretem comentários ou eventos benignos de forma ameaçadora ou depreciativa;
- Suspeitem de forma infundada de infidelidade por parte de um parceiro ou parceira;
- Reajam com raiva ou ataques a questões que interpretam como ofensa ao próprio caráter.
Devido às principais características do transtorno, pessoas com TPP têm grande possibilidade de interromper a vida profissional cedo em comparação com pacientes com outros transtornos de personalidade.

Esse transtorno não tem cura, mas é possível conviver bem com ele. Tudo depende, no entanto da aplicação de um tratamento adequado e da adesão do paciente às orientações médicas. Terapia e medicamentos (ansiolíticos, antidepressivos e antipsicóticos) podem, por exemplo, reduzir a paranoia e limitar o impacto dela na forma como a pessoa vive a vida.
Sem tratamento ou sem adesão do paciente às práticas indicadas, ele pode ter problemas em formar e manter relacionamentos, bem como ter um bom desempenho profissional. O diagnóstico da doença costuma acontecer no início da idade adulta, e deve ser feito por um profissional da área de psiquiatria ou psicologia.
