Preta Gil não se destacou apenas pela música: artista foi essencial em debates sobre diversidade

Preta Gil, filha de Gilberto Gil, morreu aos 50 anos neste domingo (20), após uma intensa batalha contra o câncer; relembra carreira

Preta Gil, nascida em 8 de agosto de 1974 no Rio de Janeiro, morreu aos 50 anos neste domingo (20), após uma longa e corajosa luta contra o câncer. Filha do músico Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, a cantora também era afilhada de Gal Costa, uma das grandes referências da música brasileira.

Com uma carreira que atravessou gerações e estilos, Preta se destacou não apenas pela música, mas também por sua presença de destaque no debate sobre diversidade e questões sociais, especialmente os direitos LGBT.

Preta e Gilberto Gil (Crédito: Reprodução/Instagram)
Preta e Gilberto Gil (Crédito: Reprodução/Instagram)

A cantora foi diagnosticada com câncer no intestino em janeiro de 2023, e, após meses de tratamento, teve que passar por uma cirurgia de mais de 18 horas, enfrentando complicações com a metástase que atingiu quatro partes do seu corpo.

Carreira de Preta Gil

Início da Carreira

Preta Gil começou sua carreira de cantora aos 29 anos, apesar de ter crescido em um ambiente musical privilegiado. Filha de Gilberto Gil, sobrinha de Caetano Veloso e afilhada de Gal Costa, a artista esteve cercada por ícones da música brasileira desde muito cedo. No entanto, foi só após anos atuando como produtora e publicitária que decidiu seguir os passos da família na música.

Em 2003, ela lançou seu primeiro álbum de estúdio, “Prêt-à-Porter”, que causou grande impacto pela capa, onde apareceu nua. A ousadia e a proposta de renovação da imagem pública de Preta fizeram com que o álbum se tornasse um marco em sua carreira. O disco foi um sucesso e estabeleceu Preta como uma das artistas mais autênticas da cena musical brasileira.

Sucessos e álbuns

Preta Gil seguiu sua trajetória com lançamentos marcantes, incluindo os álbuns “Preta” (2005), “Noite Preta” (2010), “Sou Como Sou” (2012), “Bloco da Preta” (2014), “Todas as Cores” (2017), e “De Volta ao Sol” (2024). Cada um desses álbuns refletia uma fase diferente de sua carreira e amadurecimento artístico.

Preta Gil na festa de abertura dos 50 dias do Carnaval Rio 2020, na praia de Copacabana (Crédito: Agência Brasil)

Além dos discos, Preta se destacou como apresentadora e atriz, com participação em programas de televisão e como animadora de eventos. Sua turnê “Noite Preta” foi um grande sucesso, e ela também realizou uma série de shows com o “Bloco da Preta”, que se tornou um dos maiores blocos de rua do Rio de Janeiro.

Em 2017, assinou contrato com a Sony Music e lançou o álbum “Todas as Cores”, que foi amplamente elogiado por sua diversidade de ritmos e pela forma como Preta conseguiu unir diferentes estilos musicais, criando uma verdadeira “aquarela” sonora.

Vida Pessoal

Preta Gil foi casada três vezes. Em 1994, casou-se com o ator Otávio Müller, com quem teve seu único filho, Francisco, nascido em janeiro de 1995. O casamento durou apenas um ano. Em 2009, casou-se com o mergulhador Carlos Henrique Lima, mas o relacionamento também chegou ao fim em 2013. Em 2015, se casou com o professor de educação física Rodrigo de Godoy, com quem permaneceu casada até 2023, quando a separação aconteceu após a descoberta de um caso extraconjugal.

Preta Gil e o filho, Francisco
Preta Gil e o filho, Francisco (Crédito: Reprodução/Instagram @pretagil)

Além disso, Preta se tornou avó em 2015, com o nascimento de sua neta Maria, filha de seu filho Francisco.

Envolvimento com a Diversidade e Causa LGBT

Preta sempre foi uma defensora ativa dos direitos LGBT e fez questão de se declarar abertamente bissexual. Sua luta pela inclusão e pela liberdade de expressão foi central em sua vida pessoal e profissional. A cantora também fundou, em 2017, a Mynd, uma agência de marketing de influência e entretenimento, especializada na gestão de imagem e em parcerias comerciais com grandes marcas.

Problemas de Saúde

Em janeiro de 2023, Preta Gil foi diagnosticada com câncer de intestino, o que alterou sua rotina e causou uma enorme mobilização de seus fãs e familiares. Ela passou por uma cirurgia de remoção do tumor e teve que conviver com uma ileostomia, uma condição que exige o uso de uma prótese coletora. Apesar de ter comemorado em agosto de 2023 sua recuperação temporária e a ausência de células cancerígenas, em agosto de 2024, a doença voltou a se manifestar em quatro locais diferentes do corpo, o que culminou na sua morte.

Preta Gil