Dolly Parton cogitou vivenciar a maternidade, no casamento com Carl Dean, mas ambos priorizaram outras coisas
Dolly Parton, uma das maiores representantes da música country que morreu aos 80 anos, nesta terça-feira (25), comentou abertamente sobre a decisão de não ter filhos com o marido, Carl Dean. Os dois foram casados de 1966 até a morte dele, em 2025, mas optaram por não aumentar a família.
Por que Dolly Parton não teve filhos?
A cantora deixou irmãos, sobrinhos, amigos e uma enorme legião de admiradores, mas não teve filhos biológicos. Dolly explicou que a maternidade não acabou fazendo parte de seus planos.
No entanto, o fato de não ter filhos permitiu maior dedicação à carreira. Dolly vendeu mais de 100 milhões de discos e escreveu mais de 3 mil canções, acumulando 11 prêmios Grammy, além de indicações ao Oscar e ao Tony.
Durante uma participação no programa The Oprah Conversation, da Apple TV+, Dolly conversou com Oprah Winfrey sobre a decisão. “Como eu não tinha filhos e meu marido era bastante independente, eu tinha liberdade”, analisou.

“Então, acho que grande parte do meu sucesso se deve ao fato de eu ter tido liberdade para trabalhar”, acrescentou. Na visão de Dolly, a ausência de filhos permitiu que direcionasse sua energia para outras iniciativas, incluindo projetos voltados ao público infantil.
“Eu não tive filhos porque acreditava que Deus não queria que eu tivesse filhos para que os filhos de todos pudessem ser meus, para que eu pudesse fazer coisas como a Imagination Library, porque se eu não tivesse tido a liberdade de trabalhar, eu não teria feito todas as coisas que fiz”.
“Eu não estaria em posição de fazer todas as coisas que estou fazendo agora”, concluiu. A morte de Dolly foi comunicada por Bryan Seaver, seu sobrinho, em vídeo publicado no Instagram. A cantora lutava secretamente contra um câncer e estava internada no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, em Nashville, no Tennessee, Estados Unidos.
Iniciativas de Dolly Parton para as crianças
Apesar de não ter sido mãe, Dolly criou a Fundação Dollywood, com o objetivo de incentivar crianças de seu condado natal a buscar oportunidades acadêmicas e profissionais, em 1988.
Em 1995, Dolly criou a Biblioteca da Imaginação. O projeto distribui livros gratuitamente para crianças, independentemente da renda de suas famílias, ampliando o acesso à leitura desde os primeiros anos de vida.

A própria cantora costumava dizer que encontrou uma maneira diferente de exercer uma espécie de maternidade. “Sabe, eu vivi minha vida em um ritmo tão acelerado. E comecei a pensar: ‘Como é que eu consegui ter uma vida? Como eu dei conta de tudo isso?'”, comentou, em entrevista à People, em 2025.
“Quando estava escrevendo este livro [Star of the Show: My Life on Stage], percebi o quanto eu havia sacrificado na minha vida. Eu nunca tive filhos, então pelo menos não me sentia culpada. Sou grata por ter visto meus sonhos se tornarem realidade”.
Dolly Parton cogitou ser mãe
“Quando você é um casal jovem, pensa que vai ter filhos, mas simplesmente não era uma das minhas prioridades”, disse ela à revista Saga em 2023. “Eu tinha minha carreira, minha música e estava viajando. Se eu tivesse tido filhos, com certeza teria ficado em casa com eles e me preocupado até a morte”.
Apesar disso, Dolly comentou, anos antes, em 2014, que chegou a conversar com Carl sobre filhos e até imaginar as características que teriam. “Quando nos casamos, meu marido e eu pensávamos em como seriam nossos filhos se tivéssemos filhos. Seriam altos, já que ele é alto? Ou seriam baixinhos e atarracados como eu? Se fosse uma menina, ela se chamaria Carla”.

“Enfim, conversamos sobre isso e sonhamos com isso, mas não era para ser. Agora que estamos mais velhos? Estamos felizes. Acho que eu teria sido uma ótima mãe. Provavelmente teria desistido de tudo. Porque me sentiria culpada se os deixasse [para trabalhar ou fazer turnês]. Tudo teria mudado. Provavelmente eu não teria me tornado uma estrela”.
“Eu simplesmente acho que, sabe, algumas pessoas não nasceram para ter filhos”, afirmou à Rolling Stone em 2003. “Não me arrependo. Meu marido não se arrepende. Ele é como meu único filho, eu sou como a única filha dele”.
“E quanto mais velhos ficamos, mais felizes ficamos por não termos filhos agora, porque cuidamos de muitos filhos de outras pessoas. Compramos carros novos para todos os sobrinhos e sobrinhas que se formam, pagamos a faculdade para todos que querem ir”.

