Cantor baiano, que morreu aos 60 anos nesta terça-feira (13), marcou gerações com hits do axé que embalaram carnaval
Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. Um dos nomes conhecidos do axé music, o cantor construiu uma carreira marcada por sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca”, “Estrela Primeira” e “A Vida é Festa”, músicas que atravessaram gerações e se tornaram parte da história do Carnaval brasileiro.
O interesse pela música começou cedo e aos 14 anos ganhou o primeiro violão da mãe. Na adolescência, conciliou os estudos com apresentações até começar a tocar profissionalmente em bares.
A projeção nacional veio em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, o grupo emplacou “Beijo na Boca”, canção que abriu caminho para o sucesso do artista.
“Milla” se tornou um dos maiores sucessos de Netinho
Depois de ganhar destaque com a Banda Beijo, Netinho iniciou a carreira solo em 1993. Três anos depois, lançou “Milla”, música que se tornou um dos maiores símbolos de sua trajetória e ampliou seu reconhecimento para além do Brasil.

O sucesso também levou o cantor a se apresentar em outros países, como Itália e Chile. Com um repertório associado à festa, à dança e ao Carnaval, Netinho consolidou seu nome entre os artistas populares do axé music.
Além de “Milla” e “Beijo na Boca”, músicas como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa” ajudaram a construir a identidade musical do cantor e a manter suas canções presentes nas festas de diferentes gerações.
Netinho emplacou músicas em novelas da TV Globo
A carreira solo também marcou a aproximação de Netinho com as trilhas sonoras da televisão. Em 1993, no mesmo ano em que lançou seu primeiro disco solo, o cantor emplacou “Menina” na trilha de “Tropicaliente” (1994). A música embalava a personagem Amanda, interpretada por Paloma Duarte.

Em 1995, foi a vez de uma regravação de “Caso Sério”, sucesso de Rita Lee, entrar na trilha de “Malhação”, acompanhando as cenas do casal Joana e Hugo, vividos por Samantha Monteiro e Marcos Frota.
Dois anos depois, Netinho apareceu novamente nas trilhas das novelas com “Pra Te Ter Aqui”, em “Corpo Dourado” (1998), e uma versão de “Você É Linda”, de Caetano Veloso, em “Malhação”. A segunda canção embalava o romance entre Débora e Dado, personagens de Juliana Martins e Cláudio Heinrich.
Em 1998, “Indecisão” integrou a trilha sonora de “Andando nas Nuvens” (1999). Já em 1999, o cantor gravou “O Surdato ’Nnamurato”, em napolitano, para a trilha internacional de “Terra Nostra” (1999). A canção era tema de Paola, personagem de Maria Fernanda Cândido.
Netinho também investiu no mercado musical
Fora dos palcos, o artista atuou como empresário. Ele abriu um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, que recebeu nomes como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz.

Netinho também criou um selo musical voltado ao lançamento de novos artistas baianos, ampliando sua atuação no setor.
Cantor enfrentava câncer desde 2025
Netinho anunciou o diagnóstico de câncer do sistema linfático em março de 2025, após ser internado em Salvador com fortes dores nas pernas. Durante o tratamento, compartilhou etapas da recuperação nas redes sociais.
A trajetória do cantor também foi marcada por problemas de saúde anteriores. Em 2013, ele sofreu três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que provocaram complicações e afetaram sua voz. Por conta disso, ficou quatro anos sem se apresentar no Carnaval de Salvador.

