Lito Sousa morreu em decorrência de complicações de uma pneumonia, enquanto enfrentava avanço de doença neurológica rara
Mila Seidl contou como foram os últimos dias de Lito Sousa, que morreu em 1º de outubro, aos 59 anos, após travar batalha contra a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), enquanto passava por tratamento experimental. A viúva revelou que o influenciador de aviação não resistiu em decorrência de uma pneumonia.
Esposa detalha últimos momentos de vida de Lito Sousa
Com a evolução da doença, que representa uma condição neurológica rara, degenerativa e incurável, Lito deixou de movimentar os braços e as pernas, perdeu a sustentação do tronco e já não conseguia permanecer sentado.
Posteriormente, também perdeu o controle dos movimentos do pescoço e da cabeça. Mila cuidou e esteve ao lado dele em cada etapa, revelando novos detalhes em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
A progressão do quadro afetou, eventualmente, a capacidade de deglutição. Lito passou a ter dificuldades para engolir alimentos e a própria saliva, o que levou à necessidade de uma sonda de alimentação.
A doença comprometeu progressivamente os movimentos de Lito, mas, segundo Mila, sua impressão é de que o marido permaneceu cognitivamente preservado e estava em uma espécie de aprisionamento no próprio corpo.

Antes de morrer, Lito deixou um testamento e declarações de vontade, onde ressaltou que não gostaria de ser entubado ou mantido em estado vegetativo. “Ele tinha feito algumas declarações de vontade, de coisas que topava e coisas que não topava”, relembrou Mila.
“Ele fez um testamento quanto a essa declaração de vontade. Na declaração, colocou o médico dele como responsável por decidir as coisas, e não eu, porque me conhecia e sabia que eu iria com ele até o fim”.
Mila disse que, antes da morte, chegou a adaptar a casa para cuidar do marido, independentemente das limitações físicas impostas pela doença. “Eu já estava pronta para ficar com o Lito quatro, cinco, seis, dez, 15, 20 anos na cadeira de rodas, fosse como fosse”, relatou.
“Mandei adaptar toda a casa, aumentar as passagens para ele poder ir de cadeira de rodas. A gente já estava mudando de casa para poder receber ele. Foi tudo pensado nisso”.
Diagnóstico de pneumonia de Lito Sousa
Nesse meio tempo, Lito recebeu um diagnóstico de pneumonia e passou a ser tratado com antibióticos. Na época, a equipe explicou à família que, caso Lito não apresentasse melhora, seria necessário considerar a intubação, que contrariava a declaração deixada por ele.
Devido à falha do antibiótico em combater a infecção, a oxigenação de Lito começou a cair. Apesar da necessidade de um suporte respiratório mais intenso, os médicos decidiram respeitar a vontade previamente registrada pelo paciente.
“Naquela situação dele não tinha como reverter. Então seria como manter ele vivo artificialmente. Ele ficaria com sonda, com tubo, sedado, mas não estaria aqui. E isso era uma situação que ele não queria”, entregou Mila.
A decisão de não intubar foi um dos momentos mais difíceis para a viúva. Lito passou quase 72 horas sob cuidados paliativos e, por um pedido do influenciador, Mila pediu que o vídeo de despedida começasse a ser produzido.

“Isso era uma recomendação que ele deu: ‘Eu quero que você comunique as pessoas de uma forma bonita. Não quero que apareça você chorando'”, contou.
Mila permaneceu ao lado de Lito durante praticamente todo o período, mas não conseguiu acompanhá-lo em seus últimos minutos. “Eu não dei conta de ficar. Eu fiquei o tempo inteiro, mas no final, não consegui”, lamentou.
Lito ficou na companhia de Mauro, um grande amigo e também piloto, quando morreu, além de Fernanda Cieri, médica e amiga da família.
Mila também contou que uma playlist com músicas de que Lito gostava foi escolhida para tocar nos minutos finais. O influenciador morreu ao som de “Ordinary World”, da banda Duran Duran.

