Mãe de Isabella Nardoni desabafa sobre o “e se” e a transformação da dor em propósito de vida em vídeo
Ana Carolina Oliveira usou as redes sociais para prestar uma homenagem emocionante à Isabella Nardoni no último domingo (29). O assassinato, que chocou o país em 2008, completou 18 anos e a filha tinha apenas 5 anos quando a sua história foi interrompida de forma brutal.
Homenagem de Ana Carolina para a filha, Isabella Nardoni
No vídeo, publicado no Instagram, Ana Carolina abriu o coração sobre a ausência da filha. “E se é a pergunta que rondou a minha vida por muitos anos. E se hoje na minha casa nós fôssemos em cinco, e se a Isabela tivesse conhecido o Miguel e a Maria Fernanda?”, questionou, citando os filhos mais novos.
Apesar da partida precoce, a mãe acredita que a trajetória de Isabella ganhou um novo significado com o tempo. “Esse foi o dia mais difícil da minha vida. Mas uma história que não acabou ali. Uma história que vai muito além da partida de uma criança. Hoje, eu entendo e consigo ver que ela deixou um legado, que a Isabela deixou algo muito maior”.

De acordo com Ana, o caso que parou o país se tornou uma bandeira de proteção para quem ainda não tem voz. “Ali não se foi só uma história. E ali também não podia parar. Neste momento, talvez eu não entendesse, mas depois de anos essa história continuaria transformada e que hoje dá visibilidade a tantas crianças”, explicou.
A mãe reforçou que o nome de Isabella agora serve de escudo para outras vítimas silenciosas: “Um legado para tantas crianças que vivem num silêncio, que vivem de uma forma que elas não conseguem ser protegidas. É entender que esse legado se transformou. Se transformou em luta, se transformou em propósito e se transformou em transformar vidas”.
Mesmo com a emoção evidente, Ana Carolina contou que a lembrança da filha é diária e não mais acompanhada apenas de dor, optando por seguir em frente para honrar o propósito de seu legado. “É lembrar que a violência precisa ser uma voz”.
“E se ela me deixou aqui para ser essa voz, assim eu vou honrar porque hoje eu não estou só. Desde o dia 29 de março de 2008, eu não estou só. Nós somos muitos. E hoje são 18 anos. 18 anos que eu sigo por ela e também por todas as outras crianças”.
Relembre o caso Isabella Nardoni
A investigação concluiu que a madrasta, Anna Carolina Jatobá, asfixiou a enteada, Isabella Nardoni, após uma discussão, em 29 de março de 2008. Em seguida, o pai, Alexandre Nardoni, cortou a rede de proteção e arremessou a própria filha da janela do sexto andar do prédio onde moravam, na Zona Norte de São Paulo.
Embora o casal sempre tenha negado o crime — sugerindo uma terceira pessoa nunca encontrada —ambos foram condenados em 2010. Alexandre Nardoni, sentenciado a 30 anos, deixou a prisão em maio de 2024 para cumprir o restante da pena em regime aberto.

Condenada a 26 anos, Anna Carolina Jatobá obteve a progressão para o regime aberto em junho de 2023. Isabella estava passando alguns dias com o pai quando tudo aconteceu. Hoje, 18 anos depois, Ana Carolina segue transformando a saudade em uma rede de proteção para que outras crianças não sofram o mesmo destino.
