Ex-BBB descobriu morte do pai em jornal como em “O Agente Secreto”: tragédia ficou marcada

Gizelly Bicalho, ex-BBB, se emocionou ao assistir “O Agente Secreto” e recordar a morte trágica e violenta do pai

A ex-BBB Gizelly Bicalho se emocionou ao assistir ao filme “O Agente Secreto” às vésperas do Oscar 2026. A obra, que narra perseguições e crimes na ditadura, trouxe à tona a história real de sua família, já que, da mesma forma que os personagens, também descobriu a morte do pai através de um jornal.

Ex-BBB Gizelly Bicalho perdeu o pai de forma violenta

“Sabia que se tratava da ditadura militar, mas não sabia de nada sobre o filme, até porque eu não queria spoiler”, revelou Gizelly em entrevista à Quem, traçando um paralelo imediato com a morte do pai, que era produtor de café e comerciante.

A tragédia real ocorreu em 1998, na cidade de Iúna (ES), localidade que Gizelly descreve como “muito conhecida por pistolagem”. O pai da ex-BBB foi executado com 17 tiros em seu escritório. No filme, o destino de Armando (Wagner Moura) ecoa essa violência, marcada pela impunidade.

(Crédito: Reprodução/Instagram @gizellybicalho)

“Naquela época, se você fugisse do flagrante, não seria preso”, explicou a ex-BBB. De acordo com o relato, os executores confessaram o crime, mas a liberdade foi garantida pela brecha da lei. “Como tinham fugido do flagrante, não foram presos por aquele crime. O mandante foi preso depois”.

“Ele matou uma semana antes o então prefeito de Iúna [Wellington Firmino do Carmo]. Era o pistoleiro e tinha apenas 19 anos. Ele foi a júri por matar o prefeito, mas nunca pelo meu pai. A Justiça do Espírito Santo deixou esse vazio dentro de mim, da mesma forma que não teve uma punição pela morte do pai do Fernando [também interpretado por Wagner] no filme”.

Em “O Agente Secreto”, a morte do protagonista é revelada por uma notícia de jornal anos depois. “Na minha casa tem até hoje o recorte do jornal que retrata a morte do meu pai. A gente descobriu da mesma maneira do filme, pelo jornal”, contou Gizelly.

O Agente Secreto
Wagner Moura (Crédito: Divulgação/Vitrine Filmes)

A ex-BBB ainda relembrou a frieza do assassino, que admitiu ter desistido de um ataque anterior no sítio da família devido ao movimento no local. “O assassino do meu pai falou que tentou ir antes no sítio em que a gente morava, em Iúna, e tinha muita gente no terreiro, onde se produzia café, e seria difícil matá-lo. Ele o matou no escritório dele, no armazém de café da cidade”.

Perda deixou marcas na ex-BBB Gizelly Bicalho

A perda precoce, aos 6 anos de idade, também deixou marcas na memória da advogada, que se viu representada no personagem Fernando (Enzo Nunes), que também fica órfão na infância e esquece detalhes da fisionomia do pai. A tragédia, inclusive, foi um dos motivos para querer cursar Direito.

“Não lembro mais do rosto e da voz dele do mesmo jeito. Ali, naquela cena, comecei a chorar desesperadamente. Aquela foi a resposta que eu nunca dei a ninguém. É isso que eu passo por não lembrar e ter tido minha história devastada por alguém que ninguém sabe por que fez aquilo e não teve justiça”.

Gizelly Bicalho no BBB20 (Crédito: Reprodução/Globoplay)

“Tenho certeza que esse senso de justiça vem da morte do meu pai, algo que nunca teve justiça. No BBB eu fui tão justiceira dessa maneira porque isso está dentro de mim, a vontade de querer fazer o que nunca foi feito pela minha casa. As vezes em que tentei lutar pela condenação das pessoas que tinham matado meu pai, fui assediada pelo promotor de justiça, com ele querendo ficar comigo. Isso foi recente, in 2019, pouco antes do BBB”.

Gizelly finalizou destacando que o filme é um choque de realidade sobre o Brasil e a importância de manter a memória histórica viva. “O Agente Secreto é o puro suco do Brasil, e só quem passou por isso sabe. Meu pai não era pobre, preto, favelado, periférico ou envolvido com tráfico de drogas. Ele era um empresário e produtor rural. Tinha fazendas, terras e comprava e vendia café. Era considerado na época um homem rico e bonito”.

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