Apresentadora reflete sobre o legado deixado pelo filho, Rafael Mascarenhas, além de manter ritual nos últimos 15 anos
A trajetória de Cissa Guimarães e sua relação com o luto voltaram a ser pauta nas plataformas digitais através de declarações feitas no programa “Conversa com Bial”, do GNT, quase um ano atrás. No relato, a apresentadora revisita os desdobramentos da morte de seu filho caçula, Rafael Mascarenhas.
O jovem foi vítima de um atropelamento no Túnel Acústico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 2010. Aos 18 anos na época do ocorrido, Rafael se tornou o centro de uma reflexão sobre resiliência e memória por parte da atriz, que nunca mais foi a mesma depois de vivenciar a experiência da maternidade.
Cissa Guimarães passou por transformação com a morte do filho
Ao refletir sobre a tragédia, Cissa emocionou o público ao oferecer uma perspectiva de gratidão sobre o tempo em que conviveu com o jovem. “Eu não perdi nada. Só ganhei 18 anos do maior amor da minha vida junto com os meus dois outros filhos e meus netos”, declarou a artista.
Cissa fez questão de enfatizar a transformação interna que a maternidade de Rafael proporcionou, afirmando que passaria por tudo novamente para ter tido essa experiência. “Eu mergulharia de cabeça tudo de novo só para ter o Rafa por 18 anos na minha vida”, garantiu.

“Porque, se eu não tivesse tido, não sentiria todo esse amor que eu sinto até hoje. Não teria aprendido tanto na vida. Eu sou uma mulher completamente diferente depois do Rafa”, acrescentou, em seguida. A apresentadora explicou que os ensinamentos deixados pelo filho são aplicados em seu cotidiano, especialmente no que diz respeito à forma como lida com o mundo.
“Ele me ensina cotidianamente a aceitação, ao respeito aos outros, a não sentir raiva. Eu nunca tive raiva”, confessou. Além do aspecto emocional, Cissa revelou manter uma rotina de homenagens que já dura uma década e meia. “Eu vou no túnel [onde ele morreu] e boto flores toda semana, há 15 anos”, compartilhou.
Filho de Cissa Guimarães foi homenageado
Sobre a nomeação do local do acidente, que hoje leva o nome do jovem, a atriz relembrou que houve uma sugestão anterior do então prefeito do Rio, Eduardo Paes. “Eduardo Paes quis uma época que eu desse o nome do Rafa a uma pista de skate. Eu falei: ‘Não, quero no túnel, que não tem nome”.
“Quero que seja lembrado, para não acontecer mais. Várias mulheres mais jovens, com filhos crianças, me param na rua: ‘Cissa, eu precisava te dar um abraço. Eu passo pelo túnel, e meu filho pergunta: ‘Quem é aquele menino que ri para a gente?’”, relatou ela, fazendo referência à pintura do rosto de Rafael que decora o túnel.
Ao encerrar suas reflexões, Cissa Guimarães descreveu a natureza permanente de seu luto, tratando a dor como algo que faz parte de sua identidade e que requer cuidado constante. “O Rafa ocupa um lugar que eu cuido muito. Um coração amputado e uma dor eterna, presente, cotidiana”.
“Tem momentos que até dá uma esquecida, mas acordo e falo com ele, agradeço a ele. Eu cuido dessa dor, ela é minha, ela vai junto comigo quando eu for fazer minha passagem. Eu reverencio, celebro meu filho, sempre”, declarou, por fim.
