“Esse filme me curou”: Carolina Dieckmann revisita história da mãe em luta contra vício

Ao dar vida para mulher em luta contra o alcoolismo, Carolina Dieckmann revisita a história da mãe e atribui um novo significado

O cinema, muitas vezes, atua como um espelho da alma, permitindo que atores e público processem traumas e redescubram histórias pessoais. Para Carolina Dieckmann, o longa-metragem “(Des)controle” — produzido por Iafa Britz e dirigido por Rosane Svartman e Carol Minêm — representou exatamente esse papel: uma ponte entre a ficção e as memórias de sua infância.

História da mãe de Carolina Dieckmmann

No filme, Carolina Dieckmann interpreta Kátia, uma mulher que, após 15 anos de sobriedade, sofre uma recaída motivada pelo fim de seu casamento. A trama mergulha na luta visceral da protagonista para retomar o controle de sua vida enquanto lida com o vício, o luto da separação e a criação de dois filhos pequenos, interpretados por Rafael Fuchs e Stefano Agostini.

A atriz ressalta a importância de trazer essa perspectiva para o centro do debate cinematográfico nacional. “Não temos uma protagonista mulher falando de alcoolismo no cinema brasileiro. Procurei pra caramba e não encontrei. Um filme feito em cima de uma mulher que passa por isso. Tinha muita vontade de fazer”, afirmou, em entrevista ao Gshow.

(Crédito: Reprodução/Sony Pictures)

O convite para protagonizar o longa tocou em uma ferida antiga. A mãe de Carolina, Maíra Dieckmann, que morreu em 2019, também enfrentou episódios difíceis relacionados à bebida durante a infância da atriz. Embora Maíra não apresentasse o vício crônico, ela utilizava o álcool como uma forma de anestesiar dores emocionais.

Para Carolina, dar vida à Kátia, portanto, foi uma oportunidade de ressignificar o passado sob uma ótica adulta e empática. “Acho que esse filme me curou em muitos aspectos, me fez ter outra visão de algo que já tinha elaborado como criança, com rede de apoio, de outras formas”.

“Dessa vez, consegui compreender o que minha mãe passou, embora não tenha se mostrado uma alcoolista, porque não tinha o lance do vício. Ela bebeu para anestesiar uma dor, vi muitas vezes minha mãe fora de si, já estive num carro em que senti medo de acontecer um acidente, porque estava alcoolizada”.

Mais sobre “(Des)controle”

Um dos diferenciais de “(Des)controle” é a sua construção majoritariamente feminina. Com roteiro de Felipe Sholl (com colaboração de Bia Crespo e Gabriel Meyohas) e direção assinada por duas mulheres, o filme busca fugir de estereótipos, tratando o alcoolismo com a seriedade necessária, mas sem perder a humanidade.

Para a atriz, essa abordagem foi fundamental para o resultado final. “Acho que ficou muito eficiente por comunicar de maneira absolutamente sensível, verdadeira e feminina. É um filme que tem argumentos de uma mulher que passou por isso. Acho que tem um jeito muito bonito de falar desse assunto tão sério e difícil”.

(Crédito: Reprodução/Sony Pictures)

Com apoio da Globo Filmes, a produção conta com atores talentosos que ajudam a compor o universo complexo de Kátia. Além de Carolina Dieckmann, Caco Ciocler vive Zeca, o ex-marido da protagonista. Irene Ravache, Júlia Rabello e Daniel Filho completam o elenco principal.

 “(Des)Controle” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5).

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