Celebs 13 de julho, 2026 Por Tatiana Leonel

Bruno Luperi relembra briga com Benedito Ruy Barbosa ao produzir remakes e revela lição que aprendeu com o avô

Benedito Ruy Barbosa se cansou de aconselhar Bruno Luperi sobre remakes e deu liberdade ao neto para adaptar suas obras

Bruno Luperi assumiu a missão de assinar os remakes de dois grandes clássicos do avô, Benedito Ruy Barbosa, que morreu em 7 de julho, aos 95 anos. O autor foi escolhido pela Globo para tocar as novas versões de “Pantanal” (2022) e “Renascer” (2024) e chegou a ter discussões com o escritor ao propor mudanças na trama original.

Bruno Luperi brigou com Benedito Ruy Barbosa por remakes

“Ao longo de algumas brigas que nós tivemos… Numa delas, a gente ficou duas horas discutindo. Passou meia hora, ele falou: ‘Quer saber de uma coisa? Faz como se fosse teu. Vai com o que Deus te deu e não precisa mais ficar pedindo a minha benção”, relembrou Luperi, em entrevista ao “Fantástico”.

De acordo com o autor, os dois remakes tiveram processos bem diferentes e enfrentou maior dificuldade com “Pantanal”, rejeitada pela Globo na primeira versão. “Pantanal foi bem mais intenso. [Porque] O Pantanal que ele conheceu não foi o Pantanal que eu fui quando eu conheci, por exemplo”, entregou.

Bruno, além da pressão do avô, também lidava com uma preocupação sobre o público. “Eu pego pela cobrança que o público me deu quando eu fui mexer em Pantanal [1990] e Renascer [1993]. ‘Olha o que você vai fazer’, ‘Não estraga essa novela!’, ‘Essa novela mudou a minha vida”.

“Juma Marruá, José Leôncio, José Inocêncio, João Pedro’… Sim, ele criou essas personagens, que não são banais e que ainda estão aí”, exaltou. O neto do autor ainda confessou que a vida de Benedito era muito diferente quando estava com uma novela no ar e quando estava curtindo férias.

“Se ele estava no ar, trabalhando uma obra, a presença dele era no escritório. Ele sempre estava no cantinho dele, rindo, chorando, vivendo em outro mundo. Era um astronauta, ele ia para um outro universo e voltava. E o avô que ele foi extraordinário, um contador de histórias incrível”.

Bruno dividiu também uma tradição familiar. “Todo Natal ele reunia a família perto da árvore cheia de presentes para contar a história da vida dele, já que ele tinha perdido o pai perto dessa época. “Ele contava sempre com dor. A ausência do pai foi muito marcante na vida dele, tanto que na minha interpretação o Velho do Rio [de Pantanal] é isso”.

“Esse pai que ele perdeu aos 12 anos vai se materializar no José Leôncio com o Velho do Rio. Nessa expectativa de ver o pai voltar”, analisou. “Ele sabia enxergar na simplicidade do brasileiro a complexidade humana. E ele colocou isso nos personagens dele de forma brilhante. Ele enxerga o Brasil e se orgulhava desse país”.

“Eu acho que a lição mais valiosa que ele deu foi realmente escrever com o coração”, entregou o neto. Bruno, além disso, pontuou que Benedito deixou alguns textos inéditos, que ainda podem ser produzidos. “Ele tem algum material que não foi pro ar. Tem novela, tem série, tem romance, tem peças. Acho que foi embora um gênio”.

(Crédito: TV Globo / João Miguel Júnior)

“Um país como o nosso, que sofre tanto de falta de memória, quando uma pessoa assim vai embora, tem que ter um cuidado especial. Eu fiquei pensando nos meus filhos. O sentimento é como se você estivesse no mar e viesse uma onda. Ela vai vir, com o bom e o ruim. Deixa o ruim passar e pegar o bom”.

“Então, agora eu quero pegar os sentimentos bons. E tá sendo bom, tá sendo bonito. Meu avô realmente foi um cara que transformou a vida das pessoas que passaram pelo caminho dele. E a minha também”, finalizou.

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