A cantora Elis Regina, morta aos 36 anos, faria 70 anos em 17 de março. Nascida em Porto Alegre em 1945, mãe dos cantores Maria Rita, Pedro Mariano e do produtor musical João Marcelo Boscolli, ela começou sua carreira aos 11 anos de idade se apresentando na Rádio Farroupilha.
Seu primeiro salto para o reconhecimento e adoração nacional foi interpretando a canção “Arrastão” de Edu Lobo e Vinícius de Morais, vencedora do I Festival de Música Popular Brasileira da antiga TV Excelsior, em 1965. Vale a pena assistir à apresentação que tem link disponível no You Tube:
Veja curiosidades sobre a cantora:
1 – Elis era conhecida como “pimentinha”, apelido dado por Vinícius de Morais por ser intensa, vibrante, de fala direta e risadas escancaradas . “Hélice Regina” também foi um apelido engraçado da cantora, por conta do modo característico de dançar rodando com os braços abertos que ela aprendera com o coreógrafo Lennie Dale.
2 – Elis era apaixonada pela cantora e atriz Ângela Maria (consagrada como uma das maiores intérpretes de samba-canção), e a imitava, segundo as palavras da própria Elis, de forma quase perfeita.
3 – A cantora, antes de se consagrar, foi crooner, um termo antigo dado aos cantores da noite que interpretavam as baladas, não as baladas de hoje em dia, mas sim o gênero musical, que embalava as antigas boates. “É, eu fui crooner, sim. Só que naquele tempo a gente não tinha coragem de falar cantora, bicho, a gente falava crooner, percebe? Mas foi bom…É. Eu acho que foi cantando música norte-americana, quando eu ainda sonhava com aqueles musicais de Hollywood, com o Fred Astaire, que eu aprendi a ter mais tarimba.”
4 – Elis se dizia tímida, mas se abria completamente no palco e comovia não só o público, mas também músicos célebres. Milton Nascimento, que travou uma amizade muito forte com a cantora, disse que a partir do momento em que conheceu Elis, todas as músicas que ele compôs foram feitas para ela e que a cantora foi o grande amor de sua vida, no sentido mais puro da palavra, platônico. Os dois nunca foram além da amizade.
5 – Não à toa a morte precoce da cantora, aos 36 anos, comoveu o país todo. Seu velório reuniu cerca de 25 mil fãs, amigos e parentes no Teatro Bandeirante, no centro de São Paulo. palco de seu maior sucesso, o show “Falso Brilhante”.
6 – A morte de Elis foi cercada por mistério informações desencontradas. A cantora foi encontrada já sem vida em seu apartamento pelo namorado Samuel Mac Dowell, que a levou ao Hospital das Clínicas. Chegando lá, médica que a recebeu não pode concluir que a morte de Elis foi natural e o corpo foi levado para autópsia que apontou combinação de álcool com cocaína como causa-mortis. Na época estava surgindo a moda de misturar cocaína com uísque e beber tudo junto para potencializar o efeito da droga. A autópsia gerou a revolta de Samuel e de amigos próximos que insistiam que Elis não usava drogas. O real motivo é que eles não queriam degradar a imagem de Elis, ainda mais com filhos tão pequenos. O mais velho, João Marcelo, tinha apenas 11 anos na época.
7 – A verdade é que a imagem de Elis não se degradou na época e nem com o tempo. Ela é tida até hoje como uma das grandes, se não a maior, cantora e intérprete brasileira. “A vida não tem paetês, não, a gente que inventa um brilho pra ela ficar melhor. Quando eu era menina, lá em Porto Alegre, minha família teve que escolher: ou a gente comia ou comprava um piano para mim. Então, o brilho que inventei foi cantar sem piano, e fazia de conta que eu era a maior cantora do Brasil.”

