Séries 17 de agosto, 2023 • Por Tatiana Leonel

O que é e o que não é real em “Império da Dor”: crise de opioides foi uma das maiores da história

Minissérie impressiona ao mostrar as consequências da crise do vício em opioides nos EUA após venda de remédio

Estrelada por Matthew Broderick e Uzo Aduba, “Império da Dor” é uma minissérie da Netflix que foi baseada em uma história real: as origens e as consequências da crise do vício em opioides nos Estados Unidos. Por mais que muito do que vemos ali é um retrato da realidade da época, a gigante do streaming fez apenas uma adaptação.

O que é real e o que não é em “Império da Dor”

A série é inspirada no livro “Pain Killer”, de Barry Meier, e também no artigo “The Family That Built an Empire of Pain”, de Patrick Radden Keefe, publicado originalmente na New Yorker Magazine.

A trama é ambientada na década de 1990 e acompanha inicialmente Edie Flowers (Uzo Aduba), uma investigadora do Ministério Público dos Estados Unidos, que começa a questionar a introdução do OxyContin no mercado.

A pílula passou a ser vendida em larga escala para o tratamento de dor e promovida como um produto não viciante, mas as consequências logo começaram a surgir, se transformando em uma crise de opioides grave e preocupante.

A situação retratada pela série aconteceu de verdade. A Purdue Pharma, uma grande empresa farmacêutica liderada pelos magnatas da família Sackler, durante o final da década de 1990, realmente conseguiu aprovação para o OxyContin.

KERI ANDERSON/NETFLIX

O narcótico, na época, era visto como um grande avanço da medicina, mas seu único ingrediente ativo é a oxicodona, que faz parte da família de substâncias químicas da heroína, sendo até duas vezes mais potente que a morfina.

A consequência da disseminação descontrolada do OxyContin, então, causou a maior epidemia de opioides dos Estados Unidos, uma vez que os usuários que não conseguiam a receita iam atrás de cocaína para cessar a abstinência.

Assim como é mostrado na série, várias famílias foram destruídas e muitos usuários do opioide vieram a óbito devido à overdose da substância, enquanto os Sackler conseguiram se salvar com um bom advogado e negaram as acusações.

A única adaptação que a produção fez foi a personagem de Uzo Abuda, Edie Flowers, que, apesar de não ter existido na vida real com o mesmo nome, é importante para amarrar os fatos apresentados, além das investigações.

KERI ANDERSON/NETFLIX

A personagem foi parcialmente derivada de alguns dos que já trabalhavam no Distrito Oeste da Virgínia quando o promotor John Brownlee assumiu sua posição de liderança em 2001 e fez avanços significativos no caso.

Estudos mostram ainda que o advogado confiou principalmente em “um investigador de fraudes ansioso” com o nome de Gregg Wood, encarregado de examinar os vários casos contra o desenvolvedor da OxyContin, a Purdue Pharma.

“Desde os primeiros dias da epidemia [de opioides] – muito antes dos Alertas do Google – Wood enviava compilações regulares de artigos de notícias relacionados ao OxyContin e estatísticas de overdose por e-mail para agentes da lei, promotores e outras partes interessadas”.

Para assistir na Netflix

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