Novela traz um pouco da vivência do autor para as telinhas da Globo ao retratar relação entre Adriana e Arthur
Walcyr Carrasco revelou ter se inspirado em sua própria história para escrever “Quem Ama Cuida”, nova novela das 21h na Globo, em parceria com Claudia Souto. O autor sofreu um acidente doméstico que fez com que enxergasse a vida com outros olhos e tentou trazer um pouco da vivência para a produção.
Walcyr Carrasco se inspirou na própria história para novela
A trama gira em torno da superação da fisioterapeuta Adriana (Letícia Colin), que perde o emprego, a casa e o marido após uma forte enchente, passando por virada ao conseguir um emprego na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), poderoso empresário do ramo de joias.
A inspiração para a protagonista, assim como para a própria história, nasceu de uma experiência pessoal do autor. “Há cerca de dois anos, quebrei a perna e enfrentei um longo processo de recuperação. Convivendo diariamente com fisioterapeutas e outros profissionais da área, passei a observar não só a técnica deles, mas também o cuidado, a empatia e o envolvimento humano”, contou Walcyr.

“Percebi como o ato de cuidar transforma quem cuida e quem é cuidado. Isso me marcou profundamente e acendeu a vontade de contar uma história a partir desse universo, falando de solidariedade, superação e afeto”, relatou, em seguida, em comunicado para a imprensa.
O autor detalhou ainda o seu objetivo ao construir a trama. “’Quem Ama Cuida’ fala sobre isso: solidariedade, empatia e o poder que pequenos gestos têm de transformar a vida de alguém. No fundo, o que eu quero é que o público se emocione, se reconheça e, quem sabe, saia um pouco mais disposto a cuidar do outro”.
Acidente doméstico de Walcyr Carrasco
Enquanto escrevia a novela “Terra e Paixão”, em 2023, Walcyr Carrasco sofreu um acidente doméstico. O autor estava em casa, em São Paulo, quando se levantou da cama e acabou caindo sobre uma mesinha.
O autor foi socorrido por uma funcionária que, ainda no local, afirmou que tinha fraturado a perna e que deveria ir ao hospital. “O índice de acidentes domésticos que podem causar até morte é gigantesco”, relatou, em sua coluna na Veja.
“Juro, até uma xícara é um inimigo. Um sapato velho pode ser pior que um skate numa ladeira. O risco existe para qualquer um, mas, para idosos, então, nem se fala (eu já me classifico como idoso). Tudo em torno é ameaçador”.

Walcyr ficou alguns dias internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde passou por uma longa cirurgia para realinhar e estabilizar o fêmur. Durante sua recuperação, uma “ex-amiga” teria lhe desejado o pior, como uma espécie de “praga”, ao visitá-lo.
“Uma (ex) amiga, assim que saiu do hospital, onde foi me visitar com sorrisos e palavras de encorajamento, comentou: ‘Ele merece tudo isso que está acontecendo. Já fez mal para muita gente’”, entregou o autor.
“Não sou nenhum santo e talvez mereça muito mais. Mas não acredito que alguém receba dos céus a missão de ir ao hospital, dizer palavras de conforto a um amigo doente e, ao sair, falar mal dele”.
Após sair do hospital, Walcyr passou três meses em uma cadeira de rodas, contando com o apoio profissional, sobretudo do fisioterapeuta, que foi fundamental em sua recuperação. Aos poucos, o autor começou a usar bengala e retomar a estabilidade.

