Yrla Braga detalha o processo de reabilitação emocional após vivenciar traumas e a mudança de perspectiva
Atualmente no ar como Rosinha de “Coração Acelerado”, Yrla Braga, de 31, atribui à atuação cômica um papel central em sua reabilitação emocional diante de episódios difíceis que passou. A atriz enfrentou a morte precoce de sua mãe e as consequências de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido aos 29 anos.
Atriz de “Coração Acelerado” revela cura através da comédia
Natural de Barra do Garças, no Mato Grosso, Yrla explicou como a comédia permitiu que superasse os eventos traumáticos, em entrevista à Quem. “A comédia me levou para um lugar de leveza, de cura mesmo. Porque foi por meio dela que, mesmo sem eu estar percebendo, sem fazer de forma consciente, ela me curou”.
“Consegui lidar melhor com diversas dificuldades da minha vida, como o fato de ter perdido minha mãe muito cedo, e depois com essa questão desse problema de saúde grave. Poder me curar através da comédia me levou para esse lugar de: ‘Cara, se pode acontecer comigo, esse lugar de cura, pode acontecer com outras pessoas também'”, declarou.
A experiência motivou o interesse de Yrla em compartilhar sua trajetória com o público. “Um sorriso pode fazer com que uma pessoa vá para esse lugar também de acolhimento, de cura, de olhar para o problemático que ela está passando com outros olhos”.

“Faz com que ela possa enxergar essas dificuldades com um pouco mais de leveza, até para conseguir superar de uma forma mais leve, mais gostosa. E é isso que eu tenho tentado colocar na Rosinha: esse humor leve, tranquilo, que possa levar as pessoas para um lugar de cura. Porque um sorriso, gente, é de um poder inimaginável. ‘Sorrir cura'”, avaliou
A identificação do humor como recurso terapêutico ocorreu durante consultas psicológicas, momento em que a atriz notou a transição na forma como assimilava os traumas sofridos. “Um dia, a minha psicóloga falou para mim que notou que, quando eu conseguia fazer piadas sobre determinados assuntos, era porque eu estava lidando melhor com eles. E aí parei e falei: ‘Pô, verdade'”.
“Agora, estou conseguindo fazer piadas em relação à minha mãe, ao AVC, a outras questões da minha vida.’ Mas tem alguns assuntos que ainda não consigo fazer piada, que ainda estamos tratando”, complementou, destacando que muitas vezes, quando vivemos algo difícil, não conseguimos enxergar para além daquilo.
Morte precoce da mãe
A morte de sua mãe, que aconteceu quando a atriz tinha 20 anos, inicialmente alterou sua dinâmica de convivência interpessoal, intensificando a necessidade de estreitar laços afetivos. “Quando perdi minha mãe, vi que a vida realmente era muito finita”.
“Só que só liguei a chave para a questão de aproveitar as outras pessoas. Porque, como tive um período muito curto, ao meu ver, com ela, ficava tentando aproveitar ao máximo as pessoas”, relembrou. “Então sempre falo que amo, se amo. Se estou triste, vou lá e falo”.
“Quero me resolver logo, porque a gente nunca sabe quando vai ser a última vez que vai ter aquela pessoa. E minha mãe sempre falava muito sobre o texto de Shakespeare, ‘O Menestrel’, que falava um pouco sobre isso. Então eu sempre tentei forçar isso, mas principalmente depois de perder minha mãe”.

AVC
A percepção da própria vulnerabilidade, no entanto, veio à tona apenas após o diagnóstico do AVC e o período de internação em ambiente hospitalar de alta complexidade. “Liguei essa chave de: ‘Caraca, beleza. Tenho que viver também. Não tenho que só pensar que o meu tempo com o outro, ou o outro comigo, vai ser pouco”.
“O eu comigo também é pouco.. Tem uma finitude aqui. Então, o que eu puder fazer para aproveitar isso, tenho que fazer. Tenho que viver, e aproveitar. E foi isso que passei a analisar depois dessa experiência de ir parar na UTI, e ficar naquela ansiedade de saber o que vai acontecer com você”.
“Foi quando eu virei a chave do ‘vou viver, vou fazer coisas que até então eu não tinha tido coragem, não sei por que, de fazer’. Fui lá e fiz, estou fazendo. E aí estou vivendo experiências belíssimas. Eu brinco que era um sonho que eu nem sonhava mais. Onde estou hoje era um sonho que eu nem sonhava mais. E estou me permitindo sonhar e estou me permitindo viver, o que é lindo, sabe?”.

